Encontro com presidente do grupo no dia 16 de outubro provoca críticas da campanha de Lula sobre tratamento dispensado ao candidato do PL

A Globo classificou como visita institucional o almoço com Flávio Bolsonaro realizado na sexta-feira, 16 de outubro, antes da entrevista eleitoral do candidato.
A Globo classificou como “visita institucional” o almoço de Flávio Bolsonaro (PL) com dirigentes do grupo na sexta-feira, 16 de outubro, horas antes da sabatina eleitoral na emissora.
De acordo com nota oficial encaminhada pela campanha de Flávio Bolsonaro, o candidato foi recebido pelo presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e pelo vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet. Segundo a empresa, dirigentes do Jornalismo não participaram da reunião.
O encontro provocou críticas na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o tratamento dispensado ao adversário na disputa presidencial. Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), criticou o encontro em declaração publicada, questionando se houve parceria ou gentileza e considerando inadequada a escolha do momento, inclusive pelo efeito sobre os profissionais da emissora.
A Globo respondeu que também receberia Lula caso ele tivesse solicitado uma reunião. Segundo informações divulgadas, coordenadores da campanha petista afirmaram que Lula não recebeu convite para um almoço semelhante. A campanha do presidente também não pediu uma agenda com João Roberto Marinho.
A empresa sustenta que visitas de cortesia de candidatos fazem parte da rotina dos executivos de empresas de comunicação. A explicação procura enquadrar o almoço como um compromisso empresarial comum, embora realizado na mesma data da entrevista eleitoral.
O problema político está justamente nessa coincidência. Flávio Bolsonaro teve acesso à cúpula da empresa poucas horas antes de responder às perguntas da equipe jornalística. A ausência de dirigentes do Jornalismo, informada pela Globo, não elimina o questionamento sobre a conveniência da recepção.
Não há comprovação de que o encontro tenha servido de preparação para a sabatina. A suspeita não pode ser apresentada como descrição do que aconteceu durante o almoço. A controvérsia envolve a decisão empresarial de receber um candidato no dia de sua sabatina, em eleição presidencial disputada.






