Corredor Bioceânico e expansão de ferrovias devem melhorar escoamento de soja e milho, mas dependem da execução das obras.

Análise projeta redução de 30% a 40% nos custos logísticos com a execução de projetos de ferrovias e corredor multimodal entre Brasil e Chile.
A ampliação das ferrovias e uma ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico podem mudar o escoamento de grãos brasileiros. Segundo Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, os projetos têm potencial para reduzir o frete, acelerar exportações e melhorar a competitividade da soja e do milho.
Uma das apostas é o Corredor Bioceânico de Capricórnio, rota multimodal de 2.300 a 2.400 quilômetros que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. A ligação abrirá acesso aos portos chilenos e ao mercado asiático, com redução projetada de 30% a 40% nos custos logísticos. O tempo de trânsito poderá cair de 55 para 42 dias.
Mato Grosso do Sul tem interesse especial na alternativa, pois destina mais de 65% de suas exportações à Ásia. No transporte ferroviário, a Ferrogrão prevê 933 quilômetros entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), com possibilidade de reduzir o frete em até 20% e movimentar 40 milhões de toneladas anuais até 2050.
A expansão da Ferronorte pretende aproximar polos produtores de Mato Grosso do Porto de Santos, enquanto a conexão FATO-FICO ampliaria o acesso à Ferrovia Norte-Sul. De acordo com a análise, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima uma redução potencial próxima de 40% no custo de transporte de grãos com o conjunto dos projetos ferroviários.
Fretes menores poderiam elevar o valor líquido recebido pelos produtores e beneficiar regiões distantes dos portos. Os resultados, porém, dependem da execução das obras. Atrasos, financiamento, questões ambientais e articulação entre governos seguem como obstáculos. Para a consultoria, ganhar eficiência logística será decisivo para o agronegócio capturar uma parcela maior do valor de sua produção.







