Flávio Bolsonaro reduz críticas ao STF no segundo turno da campanha presidencial

Aliados avaliam que ministros adotaram postura mais discreta e que TSE concentra disputas eleitorais nesta fase

Flávio Bolsonaro reduz críticas ao STF no segundo turno da campanha presidencial
Fachada e Estátua Justiça STF. Foto: Wallace Martins/STF/FLICKR — Foto: Fachada e Estatua Justiça STF  • Wallace Martins/STF/FLICKR

Críticas à ala do STF alinhada ao governo Lula perderam destaque nos discursos de Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) reduziu o protagonismo de críticas à ala do Supremo Tribunal Federal (STF) vista como alinhada ao presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste segundo turno eleitoral.

Flávio Bolsonaro tem feito menos críticas nominais a Alexandre de Moraes e a Flávio Dino, embora ainda ressalte que o próximo presidente da República poderá indicar quatro ministros para a Corte e defenda que mudará o perfil dos nomeados, se eleito.

Integrantes do entorno do candidato bolsonarista avaliam que os ministros do STF adotaram postura mais discreta nas últimas semanas, com menos decisões consideradas polêmicas pelo grupo. Essa mudança também está relacionada ao deslocamento do centro da disputa jurídica para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que concentra as discussões ligadas diretamente ao processo eleitoral.

Com essa reconfiguração institucional, o Supremo deixou de ocupar o mesmo espaço no discurso político da campanha bolsonarista neste momento. Outro fator apontado por interlocutores é o encerramento das eleições para o Senado, cuja composição para a próxima legislatura já foi definida com forte presença e ganhos da direita.

Os senadores têm papel central em eventuais processos de impeachment de ministros do STF. Durante a campanha, a possibilidade de tocar esses pedidos por meio da ampliação da bancada bolsonarista no Senado foi amplamente explorada por aliados de Flávio Bolsonaro. Nesse contexto, interlocutores avaliam que o tema perdeu parte de sua força como instrumento de mobilização eleitoral neste segundo turno.

A avaliação não significa que as críticas ao Supremo tenham sido abandonadas pelo grupo, mas que passaram a dividir espaço com questões consideradas mais diretamente ligadas à disputa presidencial, como economia popular e segurança pública. A estratégia das campanhas nesta reta final está concentrada na conquista de eleitores indecisos, na mobilização das bases e no confronto direto entre os dois candidatos.

A crise do Supremo nem foi citada no debate entre Flávio Bolsonaro e Lula no último domingo (18). Nos últimos meses, tanto o presidente quanto o candidato bolsonarista viram questões supostamente envolvendo ministros do STF e o ex-banqueiro do Master Daniel Vorcaro afetarem as campanhas. A avaliação de aliados é de que, se o assunto fosse mencionado no debate, ambos teriam pontos a comentar e atacar um ao outro.