LVMH acumula queda de 40% em valor de mercado em 2026

Conglomerado de luxo enfrenta crise pela redução de demanda chinesa em 15% e migração de consumidores para joias de menor margem

LVMH acumula queda de 40% em valor de mercado em 2026
Sede da LVMH, conglomerado que controla marcas como Louis Vuitton — Foto: Apple fecha acordo de US$ 100 milhões para levar parte da produção aos EUA

LVMH acumula queda de 40% no valor de suas ações em 2026. Crise no mercado de luxo é impulsionada por preços altos e perda de consumidores na China.

A LVMH, conglomerado detentor de marcas como Louis Vuitton, acumula queda de 40% no valor de suas ações ao longo de 2026. A empresa enfrenta crise no mercado de luxo provocada por preços mais altos e perda de consumidores em mercados estratégicos.

Desde 2019, os preços dos produtos subiram progressivamente. Paralelamente, a desaceleração da demanda chinesa pesa significativamente nos resultados: a China representava cerca de 30% da receita do setor de luxo, e as compras recuaram aproximadamente 15% no trimestre.

A crise não é exclusiva da Louis Vuitton. Outras empresas de luxo estão em momentos delicados, como a Hermès. A classe média aspiracional global deixou de priorizar produtos de couro e vestuário de grife, migrando para joias, categoria que oferece margem muito inferior às empresas.

A divisão de couros, bolsas e roupas da LVMH operava com margens de 30% a 40%, enquanto a divisão de joias trabalha com apenas 8% de margem. A Louis Vuitton não está vendendo menos, mas o lucro está caindo significativamente.

Outro fator relevante é o crescimento do mercado de segunda mão, que tem atraído consumidores que ainda desejam as marcas do grupo, mas optam por produtos sem geração de receita direta para a empresa.

A situação na China foi agravada por um episódio de repercussão negativa. A Louis Vuitton entrou em disputa judicial com a marca chinesa Moly Tea, que utilizava logo considerada semelhante à da grife francesa. Ao vencer o processo, a empresa gerou reação adversa no país: o vídeo da vitória judicial acumulou mais de 400 milhões de visualizações e desencadeou movimento de boicote, em contexto de forte nacionalismo de consumo na China.

Apesar do cenário adverso, Bernard Arnault, controlador da LVMH, tem aproveitado a queda das ações para aumentar sua participação no grupo por meio de reestruturação via holding. A própria LVMH interpreta o momento como movimento de ciclo, acreditando que a demanda chinesa pode se recuperar. No entanto, outras marcas poderão ocupar espaço no mercado de luxo, assim como ocorreu no segmento esportivo com a ascensão de novas entrantes.