Lula e Flávio mantêm tropas de mensagens para próxima gestão

Grupos como Exército do Lula e Tropa do Flávio reúnem quase dez milhões de pessoas e preocupam o TSE

Lula e Flávio mantêm tropas de mensagens para próxima gestão
O candidato Flávio Bolsonaro (à esquerda) e o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (à direita). Foto: Reprodução — Foto: O candidato Flávio Bolsonaro (à esquerda) e o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (à direita)  • Reprodução

Dispositivos de mensagens usados no segundo turno devem ser explorados nos próximos quatro anos tanto pela direita quanto pela esquerda para mobilizações e comunicação direta com eleitores.

Dispositivos de mensagens usados intensamente no segundo turno eleitoral devem continuar sendo explorados tanto pela direita quanto pela esquerda nos próximos quatro anos. A ideia é manter os canais de comunicação ativos para mobilizações, divulgação de informações e criação de um canal direto com o eleitorado, seja na posição de governo ou de oposição.

O Exército do Lula, coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), e a Tropa do Flávio, ligada ao senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO), reúnem ao todo quase dez milhões de pessoas. Ambos os grupos pretendem manter suas estruturas operacionais independentemente do resultado final da disputa presidencial.

Dirigentes petistas indicam que o canal de mensagens funcionaria como instrumento de pressão e protestos contra uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro (PL) caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não seja reeleito. Dirigentes bolsonaristas adotam o mesmo raciocínio: usariam os canais para mobilizar a base caso o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não consiga superar o petista na disputa ao Palácio do Planalto.

Há também discussão sobre explorar os canais de mensagens na comunicação de medidas governamentais direto com o eleitorado. Contudo, dirigentes apontam dúvidas sobre se tal utilização desrespeitaria a legislação em vigor.

A mobilização dos canais de mensagem é atribuída tanto por petistas quanto por bolsonaristas como um dos fatores que tornou acirrada e indefinida a disputa no segundo turno eleitoral.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) demonstra preocupação com o tema e deve discutir uma minuta de regulamentação após a conclusão do segundo turno para tentar normatizar o uso de aplicativos de mensagem em processos eleitorais. A discussão busca estabelecer critérios para o uso desses instrumentos sem comprometer a integridade do processo eleitoral e em conformidade com a legislação eleitoral em vigor.