Real em queda após eleições pressiona preços internacionais. Brasil responde por mais da metade das exportações globais

Contrato de março em Nova Iorque recuou 5,63%. Desvalorização do real estimula exportações brasileiras e amplia pressão sobre cotações
Os preços do açúcar despencaram nas bolsas internacionais nesta segunda-feira (26), com o contrato de março em Nova Iorque registrando queda de 5,63%.
O contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2027 recuou 114 pontos, encerrando a sessão a 19,10 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro caiu 194 pontos, encerrando a sessão a US$ 515,40 por tonelada.
A forte desvalorização do real brasileiro após o resultado das eleições presidenciais no fim de semana foi apontada como um dos principais fatores de pressão sobre os preços. Com a moeda nacional mais fraca em relação ao dólar, os exportadores brasileiros podem receber mais em reais pelas vendas internacionais, o que tende a estimular a comercialização do açúcar no mercado externo e ampliar a oferta disponível.
O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar e responde por cerca de 24% da produção global e mais da metade das exportações, segundo estimativas da Organização Internacional do Açúcar (ISO) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Por isso, mudanças no câmbio brasileiro têm impacto relevante sobre a formação dos preços internacionais.
Apesar da forte queda desta segunda-feira, os dados de produção no Brasil ainda oferecem algum suporte ao mercado. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) informou na sexta-feira passada que a produção de açúcar no Centro-Sul recuou 5,6% em agosto, na comparação anual, para 7,089 milhões de toneladas. As chuvas intensas registradas no período prejudicaram a colheita e a moagem da cana.
As perspectivas climáticas também preocupam os agentes do setor. O Super El Niño em desenvolvimento no Oceano Pacífico pode alterar o regime de chuvas no Brasil, na Índia e na Tailândia, três importantes regiões produtoras. A consultoria Datagro estimou nesta segunda-feira possíveis impactos sobre a produção mundial de açúcar nos próximos meses.






