38% dos profissionais no Brasil usam IA sem autorização da empresa

Estudo da Thomson Reuters revela prática generalizada. Vazamento de dados atinge 43% das companhias brasileiras consultadas.

38% dos profissionais no Brasil usam IA sem autorização da empresa
O uso da IA faz parte da rotina de profissionais, mas exige atenção à segurança das informações compartilhadas. Foto: Panya7 | Shutterstock

Pesquisa aponta que profissionais utilizam ferramentas de inteligência artificial sem permissão. Empresas enfrentam riscos legais sob LGPD.

Segundo estudo “Future of Professionals 2026” da Thomson Reuters, 38% dos profissionais no Brasil utilizam ferramentas de inteligência artificial sem autorização da empresa em que trabalham.

Uma pesquisa da SAP em parceria com a Oxford Economics, realizada com 200 líderes de empresas no Brasil, mostra as consequências da prática: 43% das companhias brasileiras ouvidas relatam vazamento de dados ou exposição de propriedade intelectual ligados a esse tipo de ferramenta. Apenas 15% consideram seus processos totalmente preparados para controlar o uso da tecnologia.

Para Giovanna Araujo, advogada especializada em governança de inteligência artificial e sócia do Nasrallah e Araujo Advogados, o problema não está no uso da IA, mas na falta de orientação.

“Proibir não funciona, porque a equipe vai continuar usando. O caminho é dizer com clareza o que pode, o que não pode e quem é responsável por cada ferramenta.”

Quando um funcionário insere um contrato, uma lista de clientes ou dados financeiros em uma ferramenta de IA aberta ao público, essas informações deixam o ambiente controlado pela empresa. Nesse cenário, a responsabilidade recai sobre o empregador.

Pelo Código Civil, o empregador responde pelos atos de seus empregados no exercício do trabalho, mesmo sem ter culpa direta. Se o dado de um cliente vaza porque foi inserido em uma ferramenta que a empresa não contratou, quem responde perante esse cliente é a empresa.

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) reforça essa responsabilidade. A empresa é obrigada a adotar medidas de segurança para proteger dados pessoais e a comunicar à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e aos titulares os incidentes que possam gerar risco ou dano relevante.

“A empresa responde pelo que o funcionário faz com a ferramenta, mesmo que nunca tenha autorizado o uso. Para o cliente que teve o dado exposto, não importa se a decisão foi de um analista ou da diretoria”, explica Giovanna Araujo.

As sanções pela LGPD variam de advertência a multa de até 2% do faturamento no Brasil, limitada a R$ 50 milhões por infração, sem contar eventuais indenizações aos afetados. Há também o risco contratual: muitos contratos com clientes e fornecedores podem ter cláusulas que proíbem compartilhamento de dados em plataformas não autorizadas.