Ministros e PT sinalizam que medidas de corte devem poupar pobres e focar em emendas parlamentares e benefícios tributários

Menos de uma semana após reeleição, integrantes do governo e do PT já demarcam limites para eventual ajuste fiscal, expondo dificuldade de conter avanço da dívida pública.
Menos de uma semana após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, integrantes do governo e do PT já começam a traçar linhas vermelhas para um eventual ajuste fiscal, expondo a dificuldade de implementar medidas para conter o rápido avanço da dívida pública sem enfrentar resistências dentro da própria base política.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o tema não foi discutido e nem está sendo discutido. Segundo o ministro, a posição foi comunicada a jornalistas dois dias depois da reeleição de Lula, que terminou o primeiro turno das eleições presidenciais em segundo lugar.
“Esse assunto (ajuste fiscal) não foi discutido, e nem está sendo discutido”, declarou José Guimarães aos repórteres.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defendeu em redes sociais um ajuste restrito a cortes de emendas parlamentares e benefícios tributários, descartando outras modalidades de contenção de gastos.
“O tesouraço perdeu a eleição”, afirmou Boulos nas redes sociais na quinta-feira.
No mesmo dia, a Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores divulgou nota posicionando-se contra qualquer medida que afete os mais pobres. O comunicado reforçou que o ajuste não pode ser feito em cima dos mais pobres.
Jeferson Bittencourt, ex-secretário do Tesouro Nacional e head de macroeconomia do ASA, avaliou que há razões para esperar avanços tímidos, destacando o histórico do governo Lula neste mandato. Segundo o economista, o governo buscou ajustes fiscais apoiados no aumento de arrecadação, permitiu um crescimento dos gastos acima do potencial da economia, revisou para baixo metas fiscais e manteve regras que comprimem o orçamento.
Bittencourt explicou que o que explica a reação negativa do mercado é a falta de senso de urgência do governo em mostrar como pretende enfrentar a alta da dívida pública. A receita para estabilizar o endividamento, segundo o ex-secretário, passa por metas fiscais mais rígidas, controle de gastos obrigatórios, menor dependência de receitas extraordinárias e menos exceções ao cálculo da meta.
Diante dos sinais do entorno de Lula, o economista vislumbra apenas ações mais concretas nesse sentido se o governo se deparar com um quadro ainda mais severo de deterioração de indicadores de inflação, juros e atividade, o que demandaria um ajuste com custo social mais alto.







