MapBiomas aponta fragmentação de mata nativa no Paraná em 40 anos

Levantamento mostra que áreas de vegetação diminuíram 9,8% em tamanho médio, enquanto quantidade de fragmentos aumentou 6,96% desde 1986.

MapBiomas aponta fragmentação de mata nativa no Paraná em 40 anos
Expansão da agropecuária aumenta fragmentos de mata nativa no Paraná — Foto: RPC — 1 de 3
Expansão da agropecuária aumenta fragmentos de mata nativa, aponta pesquisador — Foto: RPC

Dados do MapBiomas mostram que fragmentos de vegetação nativa no Paraná ficaram menores e mais isolados nas últimas décadas, dificultando deslocamento de animais.

As áreas de vegetação nativa do Paraná ficaram menores e mais isoladas nas últimas décadas, segundo dados do MapBiomas. Em 2024, o estado tinha 251.756 fragmentos, número 6,96% maior que o registrado em 1986, quando eram 235.371. No mesmo período, a área média de cada fragmento caiu de 244 mil metros quadrados para 220 mil metros quadrados, uma redução de 9,8%.

Fragmentos são áreas de vegetação nativa separadas por locais onde a cobertura original foi retirada para dar espaço a pastagens, lavouras ou cidades. Na prática, a vegetação nativa remanescente passou a ficar dividida em áreas menores e mais isoladas entre si.

Esse processo de fragmentação pode dificultar o deslocamento e a reprodução de animais e plantas, reduzir a troca genética entre populações e aumentar a exposição da vegetação ao fogo e aos efeitos de borda — alteração nas condições ambientais e na composição de espécies que ocorre na zona de transição entre dois ecossistemas ou entre uma área preservada e uma área degradada.

Segundo Dhemerson Conciani, pesquisador e coordenador técnico do grupo de Degradação do MapBiomas, os principais vetores do aumento da fragmentação são a expansão da agropecuária. “Os principais vetores do aumento da fragmentação são a expansão da agropecuária. Em termos ambientais e ecológicos, quanto mais fragmentado ou quanto menor um fragmento, menos biodiversidade, menos provisão de serviços, como, por exemplo, a água, ou a própria polinização”.

A partir do mapeamento, é possível buscar alternativas para que as áreas fragmentadas voltem a ter conexão. Conciani aponta que elas podem partir de estratégias conjuntas do poder público com propriedades rurais. Entre as possibilidades está a criação de corredores ecológicos para preservar a biodiversidade.

“Se a gente considera uma onça, por exemplo, ela tem uma área de vida muito grande, ela consegue se movimentar muito também. Então, para a gente ter a presença de uma onça em uma determinada região, a gente precisa de grandes fragmentos que sustentem a vida desse animal. Quando a gente aumenta a fragmentação e aumenta o isolamento, a gente está isolando essas populações, impedindo que elas se desloquem e cheguem em outros fragmentos, e isso tem efeitos devastadores”, afirmou Conciani.