Presidente quer evitar repetir terceiro mandato, quando partidos ganharam pastas sem entregar apoio legislativo ao governo

Lula indicou a auxiliares que será mais rigoroso na negociação com partidos do Centrão. Cada legenda terá de informar quantos votos pode dar ao governo na Câmara e no Senado antes de receber ministério.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou a auxiliares durante a semana que será mais rigoroso na negociação com os partidos do Centrão para a distribuição de ministérios no quarto mandato. A exigência será feita antes da entrega das pastas: cada legenda terá de informar quantos votos pode dar ao governo na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
Segundo lideranças do PT, Lula saiu “transformado” da virada nas urnas e pretende ser mais criterioso com o Centrão, que apoiou em peso a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. A ideia é evitar o cenário do terceiro mandato, quando partidos de centro ganharam ministérios e, mesmo assim, não entregaram votos nas votações de interesse do governo.
Os emissários do presidente já começaram a procurar caciques partidários. Um dos procurados foi o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. A previsão é que os dois se reúnam nesta semana, depois do feriado de Finados.
Caciques do Centrão avaliam que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pode convencer partidos do bloco a apoiar a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) no comando do Senado Federal. O apoio dessas legendas é decisivo para a recondução. A cobrança por votos tem esse alvo claro.
O cenário ficou mais complexo com a composição do Congresso eleita em outubro. O PL elegeu 121 deputados e 29 senadores e chega a 2027 com força para travar a agenda do governo, mesmo derrotado na eleição presidencial. Lula precisa, ao mesmo tempo, acomodar aliados e neutralizar a oposição.
A disputa pelo Ministério da Fazenda é o teste mais visível desse equilíbrio. O nome do ministro será lido pelo mercado como sinal da política econômica do novo mandato, e a escolha envolve grupos internos do PT. O governador do Piauí, Rafael Fonteles, despontou como um dos principais candidatos, mas integrantes do partido exploram a preferência do mercado por um perfil mais moderado.
Nessa conta, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) aparece como o nome mais bem avaliado. O banco Citi tem medido internamente como o nome do próximo ministro da Fazenda será recebido pelo mercado e, por esses parâmetros, Alckmin larga na frente entre os nomes que circulam. A Fazenda concentra a negociação do arcabouço fiscal, da reforma tributária em implantação e da relação com o Banco Central, temas em que o governo precisa de votos no Congresso e de credibilidade junto a investidores.







