EPA revogou em fevereiro limites de emissões para veículos; resultado de terça decide poder legislativo sobre novos cortes

Na terça-feira (3), os americanos decidem o Congresso. Resultado afeta capacidade de Trump ampliar desregulação ambiental e cortes no orçamento da EPA.
Na terça-feira (3), os americanos decidem a composição do Congresso e definem quanto espaço Trump terá para ampliar a desregulação ambiental.
De acordo com o modelo do Decision Desk HQ, em 31 de outubro havia 61% de chance de maioria democrata nas duas Casas e 22% de câmara democrata com Senado republicano. Em ambos os cenários, os democratas poderiam investigar a Agência de Proteção Ambiental (EPA) e barrar novas leis favoráveis à exploração de petróleo e gás.
A EPA revogou em fevereiro a determinação de 2009 que sustentava limites de gases de efeito estufa para veículos, alegando razões jurídicas sem novas evidências que afastassem riscos climáticos. A medida é contestada na Justiça.
Se os democratas conquistarem o Senado, poderiam rejeitar indicações de Trump para cargos federais e tribunais, normalmente aprovadas por maioria simples. Para aprovar novas leis ambientais, porém, enfrentariam possível obstrução republicana, cuja superação geralmente exige 60 votos no Senado para encerrar o debate. Mesmo após aprovação pelo Congresso, Trump poderia vetá-las. Para derrubar esse veto, seriam necessários 290 votos na Câmara e 67 no Senado, caso todos os parlamentares votassem.
No orçamento, a diferença é concreta. A dotação anual da EPA foi de US$ 8,82 bilhões em 2026, após o Congresso rejeitar corte de 54,5% pedido por Trump. Para 2027, o presidente solicitou US$ 4,2 bilhões; a comissão orçamentária da Câmara, republicana, propôs US$ 7,04 bilhões, redução de 20%. Há verba provisória até 11 de dezembro. Se houver apenas prorrogação, a nova Câmara poderá negociar o orçamento de 2027; se a lei anual for aprovada antes, essa negociação estará encerrada.
Preservar a fiscalização do ar e da água também exigirá acordo com o Senado e o Executivo. Para investidores, há regras fixadas em lei. Projetos eólicos e solares sem obras iniciadas até 4 de julho de 2026 precisam, em regra, operar até o fim de 2027 para manter créditos fiscais. Grandes sistemas de armazenamento com baterias seguem regras diferentes, sem esse prazo, ganhando vantagem relativa no financiamento.
Em fevereiro, a agência de energia (EIA) previa 86 gigawatts de novas instalações de grande porte para 2026: 51% solares, 28% em centrais de armazenamento e 14% eólicas. O preço residencial da eletricidade subiu mais de 10% desde 2024, segundo a Reuters. A S&P Global projeta US$ 1,295 trilhão em investimentos de 46 empresas de eletricidade e gás entre 2026 e 2030.







