Prática do gerrymandering modifica competitividade das disputas na Câmara dos Representantes em estados como Texas e Califórnia

Estados norte-americanos redesenharam distritos eleitorais em 2025 e 2026 para favorecer seus respectivos partidos, alterando a competitividade das disputas
Estados norte-americanos redesenharam distritos eleitorais em 2025 e 2026 para favorecer partidos específicos, alterando a competitividade das disputas na Câmara dos Representantes.
O Texas adotou mudanças favoráveis aos republicanos, enquanto a Califórnia respondeu com um mapa que beneficia os democratas. Outros estados, como Flórida, Ohio e Carolina do Norte, também modificaram seus distritos eleitorais.
A prática operada nesses redesenhos é o gerrymandering, que concentra eleitores adversários em poucos distritos ou os dispersa entre vários para reduzir sua capacidade de eleger representantes. Embora não adulterem votos, essas estratégias desenham previamente as condições da disputa.
Na Câmara dos Representantes, as 435 cadeiras são distribuídas entre distritos eleitorais, e cada um elege um deputado. As fronteiras desses distritos afetam diretamente a competitividade das eleições e a possibilidade de cada partido vencer cadeiras. Com maiorias estreitas na Câmara, essas mudanças ganham importância nacional.
“Você nem sempre consegue o que quer”, como cantavam os Rolling Stones, lembra que na política norte-americana a vontade dos eleitores não se traduz automaticamente em poder. Um partido pode obter mais votos no país e terminar com menos cadeiras.
Embora os mapas sejam normalmente revistos após o censo decenal, a judicialização do tema não elimina completamente o problema. Em 2019, a Suprema Corte entendeu que a Justiça federal não deve arbitrar disputas sobre mapas manipulados por razões estritamente partidárias. Ainda cabem ações com base nas constituições estaduais ou contra discriminação racial.
Em abril de 2026, a Corte julgou um mapa da Louisiana criado depois que a Justiça considerou provável que o traçado anterior prejudicasse eleitores negros. O estado havia estabelecido um segundo distrito de maioria negra, mas a Suprema Corte concluiu que o uso predominante da raça nesse redesenho era inconstitucional. A decisão tornou mais exigente a demonstração de que a distribuição dos distritos reduz ilegalmente a capacidade de minorias elegerem seus candidatos preferidos.
A decisão expõe a tensão entre combater a discriminação racial e limitar o uso da raça nas tentativas de corrigi-la. No Senado, a desigualdade de representação tem outra origem: Califórnia e Wyoming elegem dois senadores cada, apesar de suas populações muito diferentes, refletindo o pacto federativo que dá pesos diferentes às populações na composição da câmara alta.







