Sem dois terços dos votos, partido não consegue derrubar vetos presidenciais sobre incentivos a renováveis e veículos elétricos

Democratas conquistaram Câmara e Senado em 3 de novembro, mas não obtiveram os dois terços necessários para derrubar vetos de Trump sobre política energética.
Os democratas conquistaram a Câmara dos Representantes e o Senado dos Estados Unidos na eleição de 3 de novembro, mas não alcançaram os dois terços dos votos necessários em cada casa para derrubar vetos presidenciais. A mudança decisiva elimina o atalho que os republicanos utilizavam para cortar incentivos à energia limpa sem negociar com o partido rival.
Em 2025, os republicanos aproveitaram a reconciliação orçamentária para antecipar o fim de incentivos a renováveis e veículos elétricos. Esse procedimento permite que o Senado aprove mudanças de impostos e gastos por maioria simples, com debate limitado a 20 horas, contornando a obstrução legislativa.
A reconciliação orçamentária funciona em duas etapas. Primeiro, a Câmara e o Senado aprovam um plano orçamentário com instruções para elaborar mudanças. Depois, votam o projeto de lei resultante. No Senado, o debate é restrito a 20 horas, permitindo aprovação por maioria simples. Entretanto, Trump pode vetar a lei. Para derrubar seu veto, os democratas precisariam de dois terços dos votos em cada casa, maioria que não conquistaram.
A partir de janeiro, sem controlar as duas casas, os republicanos não poderão repetir a operação sozinhos. Os democratas também enfrentarão limites: mesmo aprovando novos incentivos energéticos, poderão sofrer um veto de Trump.
Em projetos comuns, a dinâmica muda. Senadores podem impedir votações ao se recusarem encerrar debates — prática conhecida como filibuster. Para superar essa obstrução, são necessários, em geral, 60 dos 100 votos. Sem esse apoio, reformas como a do licenciamento energético podem ser adiadas para 2027, quando os democratas terão maioria nas duas casas e maior poder de negociação.
A pressão econômica se intensifica com a guerra com o Irã. A Administração de Informações sobre Energia dos Estados Unidos (EIA) prevê que o Brent e o diesel rodoviário ficarão 39% e 42% mais caros, em média, em 2026 comparado a 2025. Fretes e alimentos encarecem; produzir mais petróleo nos EUA não protege os consumidores da oscilação do mercado mundial.
O orçamento anual já exigia acordos no Senado; agora, a Câmara democrata também negociará as despesas federais. Deputados poderão investigar concessões de petróleo e gás, enquanto senadores terão poder para rejeitar indicados à EPA (agência ambiental americana), à regulação energética e aos tribunais federais. Trump preserva o veto sobre essas indicações, e impasses podem paralisar serviços.







