Empresas de IA tentaram distribuir ações à população antes das eleições de terça, mas população votou contra infraestrutura

Em dez estados americanos, 41 medidas locais sobre data centers foram às urnas na terça-feira e eleitores barraram 40, entre moratórias e proibições de dez anos.
Eleitores em dez estados americanos barraram 40 das 41 medidas locais sobre data centers submetidas às urnas nesta terça-feira (5). As aprovações incluem moratórias e proibições de dez anos que só outro plebiscito pode derrubar.
Segundo pesquisa de boca de urna, 56% dos eleitores disseram que data centers e inteligência artificial pesaram na escolha para o Congresso. No Texas e na Geórgia, dois dos estados em que a indústria mais constrói, foram eleitos governadores que prometeram suspender novas licenças.
No Texas, o comissário de agricultura ganhou a eleição com campanha que destacava preocupações de fazendeiros do interior sobre consumo de água dos data centers nos poços locais, segundo informações divulgadas.
As três companhias mais valiosas do setor de IA tentaram distribuir ações à população nas semanas anteriores à votação. A empresa do Claude separou 5% para um fundo voltado à sociedade. A OpenAI ofereceu 5% ao governo americano. Elon Musk prometeu uma ação da SpaceX para cada criança do país.
A estratégia visava fazer do eleitor um sócio antes da votação. Na prática, as distribuições ainda estão em andamento e enfrentam obstáculos. A presidente da SpaceX vai distribuir em dezembro pouco mais de 2 milhões de ações, exclusivamente para adolescentes de 11 a 17 anos de regiões de renda baixa. A ação universal prometida por Musk está prevista para 2027. O fundo da empresa do Claude depende do voto dos acionistas. A cota da OpenAI para o governo é uma conversa com a Casa Branca que ainda precisa passar pelo Congresso.
A resistência dos eleitores reflete o descompasso entre a instalação de infraestrutura e o acesso aos benefícios. Enquanto data centers consomem energia e água da rede local, o benefício permanece concentrado nos escritórios das empresas que usam os modelos ou nos balanços das que os vendem. Na prática, eleitores recebem a conta de luz do mês anterior e nenhuma ação, enquanto o dinheiro de futuras distribuições fica bloqueado até a maioridade dos filhos.






