PGR pede ao STF suspensão de ações que contestam proibição de bets

Paulo Gonet argumenta que multiplicação de decisões judiciais sobre casas de apostas gera insegurança jurídica em todo país

PGR pede ao STF suspensão de ações que contestam proibição de bets
Casas de apostas online enfrentam proibição desde Medida Provisória de 2026. Foto: Esmael Morais

Procurador-geral da República quer que Supremo congele todos os processos que questionam constitucionalidade da MP que proibiu funcionamento das plataformas de jogos online.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão nacional de todas as ações que contestam a Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu o funcionamento das plataformas de jogos online. O pedido foi encaminhado ao ministro Luiz Fux, relator de quatro ações que questionam a constitucionalidade da medida.

Gonet argumenta que a multiplicação de decisões judiciais autorizando a liberação de casas de apostas gera insegurança jurídica. Na petição apresentada ao STF, o procurador-geral afirma que os processos devem ficar parados até que a corte julgue definitivamente a questão.

O texto sustenta que é caso de deferimento da medida excepcional de suspensão para sobrestar, em âmbito nacional, o trâmite de todos os feitos que tenham por objeto a constitucionalidade da medida provisória.

A discussão chegou ao Supremo após decisões contraditórias na Justiça Federal. Em 5 de novembro, a segunda instância em São Paulo derrubou uma liminar que autorizava o funcionamento de três casas de apostas online. Antes disso, outras decisões havia liberado plataformas, motivando o pedido de uniformização da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Uma medida provisória é um instrumento normativo editado pelo presidente da República que tem força de lei e entra em vigor imediatamente, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional para continuar válida. Quando sua constitucionalidade é questionada judicialmente, o Supremo pode suspender seu efeito até análise final.

O resultado da decisão de Fux interessa diretamente ao setor: define se as bets voltam a operar no país e qual será o tamanho da arrecadação que o governo abre mão com a proibição. Também alcança o patrocínio de clubes de futebol e o emprego em empresas do ramo, incluindo operações no Paraná.

Não há prazo definido para a decisão do ministro. Até que o STF se manifeste, valem as decisões já proferidas em cada processo, o que mantém a situação jurídica diferente de estado para estado.