Cenário agrícola: queda nos preços, mas alta nas carnes em 2025

Como a dinâmica das exportações impacta o mercado interno.

Cenário agrícola: queda nos preços, mas alta nas carnes em 2025
Análise do impacto das exportações no mercado agrícola em 2025. Foto: Vaivém das Commodities

O ano de 2025 traz quedas significativas nos preços de alimentos básicos, enquanto as carnes se beneficiam das exportações.

O impacto das exportações no mercado agrícola em 2025

O ano de 2025 se encerra com um panorama agrícola contrastante: enquanto os preços de alimentos básicos, como o arroz e feijão, caem, as carnes se mantêm em alta, apoiadas por uma demanda externa robusta. Esse cenário revela a complexa interdependência entre o mercado interno e as tendências globais.

Queda nos preços de alimentos básicos

Os preços de alimentos essenciais, principalmente o arroz, enfrentaram uma queda significativa. No Rio Grande do Sul, a saca do cereal foi negociada por R$ 72,5, representando uma queda de 36% em comparação a 2024. Essa redução é atribuída a uma produção recorde de 12,8 milhões de toneladas e a um retorno ao normal das exportações internacionais, que se viu impactado pela diminuição dos preços externos.

Paralelamente, o feijão também registrou uma leve queda de 2% nos preços, refletindo a pressão sobre os valores de negociação em Itapeva (SP). No setor de hortifrútis, a melhora nas condições climáticas resultou em quedas acentuadas nos preços de cebola e batata, que despencaram 65% e 62%, respectivamente. A banana e a laranja também seguiram a tendência de baixa, especialmente a laranja, que perdeu 28% do seu preço após uma forte alta em 2024.

Valorização das carnes e sua relação com as exportações

Em contraste com os alimentos básicos, as carnes no Brasil apresentam uma trajetória de valorização. A arroba do boi, por exemplo, subiu 23% em 2025, impulsionada por uma produção recorde e pela demanda externa. Dados do IBGE indicam que, mesmo com um aumento na oferta, os preços para os produtores continuaram a subir: a carne suína teve um aumento de 11%, enquanto o frango viu uma alta de 7,3%.

Essa dinâmica é atribuída à capacidade do Brasil de atender uma demanda global, em um cenário onde muitos países enfrentaram desafios em suas produções. A continuidade das exportações é crucial para sustentar esses preços e garantir a rentabilidade do setor.

O papel da soja e do milho

Outro fator importante neste cenário é a soja, que, apesar de um aumento na oferta mundial, conseguiu manter seus preços estáveis, com uma produção recorde de 171 milhões de toneladas. O preço médio da saca de soja ficou em R$ 131, com uma leve alta de 1%. O contexto internacional, incluindo as tensões comerciais, favorece o Brasil, que se posiciona como um dos principais fornecedores de soja ao mercado externo.

O milho, que teve uma queda significativa nos preços nos anos anteriores, viu um aumento em 2025, alcançando R$ 72 por saca. Isso se deve a uma demanda interna crescente, impulsionada pela produção de proteínas e etanol, além das exportações projetadas em 40 milhões de toneladas.

Conclusão

O final de 2025 apresenta um cenário agrícola marcado por contrastes. A queda nos preços dos alimentos básicos evidencia a necessidade de adaptação dos produtores às condições de mercado, enquanto a alta nas carnes demonstra como as exportações podem sustentar e até valorizar determinados segmentos. Esses fatores devem ser monitorados de perto, já que a volatilidade do mercado global pode impactar diretamente o futuro do agronegócio brasileiro.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Vaivém das Commodities