Trabalhadores dos Correios criticam TST sobre acordo salarial

Federação Findect denuncia omissão em proposta de atualização salarial.

Federação Findect critica decisão do TST sobre assembleias para votação de acordo salarial.

A situação dos trabalhadores dos Correios se torna cada vez mais tensa à medida que a proposta mediada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) é colocada em pauta. Com o recente despacho do ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos, as federações de trabalhadores são instadas a realizar assembleias para aprovar um acordo coletivo que, segundo eles, não atende às expectativas reais de atualização salarial.

O descontentamento da Findect

Marcos Sant’aguida, diretor jurídico da Findect, não hesitou em criticar a decisão do TST. Para ele, a ausência de uma proposta clara que contemple a atualização salarial é uma falha grave, especialmente considerando que os trabalhadores enfrentam um cenário de alta inflação e perda do poder aquisitivo. Sant’aguida expressou sua indignação ao afirmar que o TST deveria agir como um órgão equilibrador das desigualdades laborais, mas ao invés disso, parece ignorar as necessidades básicas dos funcionários.

Proposta de acordo e suas implicações

A proposta mediada pelo TST inclui a renovação de 79 cláusulas do acordo coletivo, mas a recomposição salarial de 5,13% a partir de janeiro de 2026 é vista como insuficiente. Os trabalhadores já manifestaram sua insatisfação em assembleias que resultaram em greves em diversos estados, como Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro. Com a greve aprovada, a pressão sobre o governo e a empresa aumenta.

O cenário financeiro dos Correios

A situação financeira dos Correios é crítica, com um prejuízo acumulado de R$ 6,1 bilhões em 2025. O governo federal, através do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, descartou a possibilidade de um aporte imediato do Tesouro Nacional, o que poderia agravar ainda mais a crise. A proposta de empréstimo de até R$ 12 bilhões com um consórcio de bancos é uma tentativa de reestruturar a empresa, mas muitos se perguntam se isso será suficiente para estabilizar a operação e atender às demandas salariais.

Reações e próximos passos

Enquanto a Findect e a Fentect se mobilizam para levar a proposta à votação nas assembleias, a expectativa é de que a pressão dos trabalhadores continue a crescer. A audiência marcada para o dia 26 de dezembro para assinatura do acordo coletivo poderá ser um ponto crucial, mas a possibilidade de uma greve geral pode mudar o rumo das negociações. A luta dos trabalhadores dos Correios por melhores condições e salários mais justos está longe de terminar, e os próximos dias serão decisivos.