Dosimetria aprovada: Lula e o futuro de Bolsonaro

O impacto da nova legislação sobre o ex-presidente e o governo.

Dosimetria aprovada: Lula e o futuro de Bolsonaro
Presidente Lula participa da 14ª Conferência Nacional de Assistência Social. Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

A aprovação da dosimetria no Senado coloca o futuro de Bolsonaro nas mãos de Lula, que deve decidir sobre o veto ou sanção da nova lei.

A aprovação do projeto de lei da Dosimetria no Senado, ocorrida na noite de 17 de dezembro de 2025, marca uma nova etapa no embate político brasileiro, colocando o futuro do ex-presidente Jair Bolsonaro nas mãos do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. Com um placar que favoreceu a proposta, a nova legislação tem o potencial de reduzir significativamente as penas de Bolsonaro, atualmente condenado por tentativa de golpe de Estado.

O impacto da Dosimetria

A nova lei, que recebeu 48 votos a favor e 25 contra, foi celebrada pelos aliados de Bolsonaro, que veem uma oportunidade de redução do tempo de pena, que poderia cair de mais de 27 anos para cerca de três. Essa mudança não apenas afeta diretamente Bolsonaro, mas também representa uma derrota política para o governo Lula, que já havia sinalizado sua intenção de vetar o projeto. A proposta, que deve agora ser sancionada ou vetada em um prazo de 15 dias úteis, é um reflexo de um Congresso dividido e de uma articulação que deixou muitos aliados do governo insatisfeitos.

O cenário político atual

A legislação aprovada altera critérios de fixação de penas para crimes cometidos durante os atos de 8 de janeiro, o que pode beneficiar não apenas Bolsonaro, mas outros condenados. O relator da proposta, senador Esperidião Amin (PP-SC), enfatizou que as mudanças focam em indivíduos envolvidos em atos antidemocráticos, mas a crítica é que isso poderia abrir precedentes perigosos.

Além das questões legais, a votação gerou um descontentamento considerável na base aliada de Lula, que viu a articulação de Jaques Wagner (PT-BA) como uma falha significativa, levando a uma divisão em partidos que tradicionalmente apoiam o governo. A falta de união entre os aliados foi um fator crucial para a aprovação do projeto, sinalizando que a relação entre o Executivo e o Legislativo continua tensa.

Reações e próximas etapas

A reação à aprovação do projeto foi imediata. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, se posicionou favoravelmente à tramitação, o que reforça sua influência no cenário político, enquanto Lula já declarou que tomará sua decisão sobre o veto com base no que considera ser o melhor para a democracia. O líder do governo na Câmara, Randolfe Rodrigues, também indicou que a avaliação do veto será feita com cautela, mas as palavras de Lula mostram que ele está disposto a se confrontar com o Congresso caso necessário.

A situação atual mostra um Brasil polarizado, onde as decisões políticas não apenas afetam a vida de figuras públicas, mas também refletem as tensões sociais e institucionais que permeiam o país. O desenrolar dessa história promete ser um campo fértil para debates e confrontos nos próximos dias, especialmente em um momento em que a política nacional se aproxima de um período crítico com a proximidade das festas de fim de ano e as expectativas para 2026.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto