Lula afirma que vetará dosimetria e fala sobre o Congresso

Presidente defende que condenados por crimes contra a democracia devem ser punidos.

Lula garante que vetará projeto que reduz penas de condenados por crimes contra a democracia.

O cenário político brasileiro ganhou novos contornos com as recentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, em um café da manhã com jornalistas no dia 18 de dezembro de 2025, reafirmou sua posição firme contra o Projeto de Lei da Dosimetria, aprovado pelo Senado um dia antes. Segundo Lula, esse projeto, que propõe a redução das penas para aqueles condenados por crimes que atentaram contra a democracia, não encontrará respaldo em sua caneta.

Contexto e Implicações do Projeto

O Projeto de Lei da Dosimetria visa modificar a forma como as penas são calculadas, adotando o conceito de concurso formal. Isso significa que, ao considerar um crime, a punição será baseada apenas na pena do delito mais grave, a qual poderá ser aumentada em uma fração que varia de 1/6 até metade do tempo da pena. Esta mudança foi vista como uma possibilidade de beneficiar condenados, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta uma condenação total de 27 anos e 3 meses.

Lula deixou claro que, em sua opinião, os condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devem arcar com as consequências de seus atos, especialmente aqueles que atentaram contra a democracia. “As pessoas que cometeram crime contra a democracia brasileira terão que pagar pelos atos cometidos”, afirmou, ressaltando que o projeto representa uma tentativa de amenizar as penas em um momento em que o julgamento de muitos ainda está em andamento.

A Reação do Presidente e do Congresso

Ao comentar a possibilidade de veto, Lula ressaltou que o Congresso tem o direito de decidir sobre a derrubada de sua decisão. No entanto, ele expressou a falta de confiança nas intenções que cercam a aprovação do projeto, afirmando que não foi informado sobre um suposto acordo entre governistas e opositores que facilitou a tramitação da proposta. “Se o presidente não foi informado, não houve acordo”, declarou, enfatizando a necessidade de transparência nas discussões legislativas.

Caminhos Futuros

A declaração de Lula abre um debate importante sobre a relação entre o Executivo e o Legislativo no Brasil. Com a possibilidade de um veto presidencial em um tema tão sensível, as próximas semanas poderão revelar dinâmicas de poder que influenciam não apenas a política penal, mas também a própria estrutura de governança do país. As decisões que se seguirão a esse impasse poderão moldar o discurso político e a confiança pública nas instituições brasileiras, especialmente em um momento em que a democracia enfrenta desafios significativos.