Vilanismo e a proteção da negritude em nova exposição

Coletivo apresenta obras que refletem sobre a vida e a resistência negra.

Vilanismo e a proteção da negritude em nova exposição
'O outro', de Ramo, na exposição do coletivo Vilanismo. Foto: Vilanismo/Divulgação

A exposição "Guarda-Corpo" do coletivo Vilanismo apresenta obras que discutem a proteção e a vida da população negra.

A luta pela negritude em “Guarda-Corpo”

A exposição “Guarda-Corpo”, em cartaz na galeria Zielinsky, em São Paulo, traz à tona questões cruciais sobre a proteção e a valorização da vida negra. Composta por 21 obras do coletivo Vilanismo, a mostra utiliza diversas linguagens artísticas, como vídeos, pinturas, fotografias e esculturas, para discorrer sobre a importância de criar mecanismos de proteção para os corpos negros.

A metáfora do guarda-corpo

O título da exposição, segundo Renan Teles, um dos integrantes do coletivo, remete ao direito dos homens negros à vida e à terra. Ele explica que o guarda-corpo, comum na construção civil, serve como uma metáfora para a necessidade de proteção. “A ideia é pensar em como nos unimos para criar mecanismos que salvaguardem nossas vidas”, afirma Teles.

Obras que provocam reflexão

Entre as obras expostas, destaca-se “Sàngó sobre Pérgamo”, onde Teles utiliza adinkras, símbolos de proteção do povo akan, de Gana, juntamente com a representação do machado de Xangô, orixá da justiça. “Essa obra questiona a quem a justiça deve ser direcionada e como ela é alcançada”, explica o artista, ressaltando a necessidade de construir uma sociedade mais equitativa.

A origem do coletivo Vilanismo

Fundado no final de 2021, o Vilanismo surge como uma resposta à marginalização dos corpos negros, tanto na arte quanto na sociedade. O nome do grupo é uma referência à palavra ‘vilão’, refletindo a posição da população negra ao longo da história. Teles destaca que o coletivo é mais do que um agrupamento artístico; é uma irmandade que promove apoio mútuo entre seus membros.

Fortalecimento coletivo

Os integrantes do Vilanismo realizam atividades que vão além da arte, como festas e cuidados com as crianças uns dos outros, além de manter uma conta bancária conjunta para ajudar nas necessidades financeiras. Essa solidariedade se manifestou na participação do grupo na Bienal de São Paulo, onde apresentaram a instalação “Os Meninos Não Sei que Juras Fraternas Fizeram”.

Reflexão sobre fé e resistência

Rodrigo Zaim, outro membro do coletivo, expõe a obra “Capelinha Seu Santo É Exu”, um santuário que aborda fé, rua e raiva. Ele explica que, enquanto homem preto, carrega uma raiva que pode ser transformada em força criativa. “Esse sentimento, quando bem direcionado, pode gerar coisas poderosas”, afirma Zaim.

Informações sobre a exposição

A exposição está aberta ao público até 17 de janeiro, com entrada gratuita. Funciona de terça a sexta, das 11h às 19h, e aos sábados, das 11h às 17h, na Travessa Dona Paula, 33, Higienópolis. Classificação livre. Esta mostra é uma oportunidade única de refletir sobre a importância da proteção e da valorização da negritude na sociedade contemporânea.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Vilanismo/Divulgação