Melhora na água do mar do Leblon após anos de problemas

Após uma década de classificação ruim, praia do Leblon apresenta leve avanço na qualidade da água.

Melhora na água do mar do Leblon após anos de problemas
Banhista na praia do Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro. Foto: Eduardo Anizelli / Folhapress

Água do mar do Leblon apresenta leve melhora, mas ainda inspira cautela entre os banhistas.

Depois de quase uma década marcada por classificações entre ruim e péssima, a água da praia do Leblon, localizada na zona sul do Rio de Janeiro, apresentou uma leve melhora na balneabilidade, segundo levantamento da Folha. Neste ano, os três pontos monitorados na praia passaram a ser classificados como regulares, um avanço tímido, mas significativo para uma das praias mais famosas do Brasil.

O histórico de problemas na praia

Historicamente, a praia do Leblon figura entre as mais problemáticas da cidade desde 2016, com dados do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) revelando que, de novembro de 2024 a outubro de 2025, o trecho em frente à rua Rita Ludolf teve 10,9% das amostras consideradas impróprias para banho. Na altura da rua Bartolomeu Mitre, esse índice chegou a 16,4%, enquanto o ponto da avenida Afrânio de Melo Franco registrou 21,9%, o mais próximo do limite que separa a classificação regular da ruim. Essa realidade gera uma cena comum nas tardes quentes de dezembro, onde famílias e turistas entram no mar sem saber das condições de balneabilidade.

A percepção dos banhistas

Entre os turistas, como Juan Martínez, um argentino que visitava o Rio, a surpresa é evidente ao descobrir a realidade da água da praia. “A praia é famosa no mundo inteiro e parece tudo perfeito. Para quem vem de fora, não imaginamos que existam esses problemas”, disse. Já entre os cariocas, a melhora é recebida com alívio, mas não elimina a desconfiança. Renata Moreira, uma residente do bairro, afirma que mesmo com a melhora, ela evita entrar no mar em determinadas situações.

Análise dos especialistas

A cautela dos banhistas é justificada por especialistas, como o professor Rodolfo Paranhos, do Instituto de Biologia da UFRJ. Segundo ele, a melhora observada em 2025 não indica uma mudança estrutural clara. “O Leblon oscila. Em alguns períodos melhora, em outros piora. Não há uma tendência clara de recuperação”, afirmou. O cenário foi particularmente crítico entre 2019 e 2022, quando a praia recebeu classificação péssima de forma consecutiva, permanecendo imprópria para banho em mais da metade das medições anuais.

Fatores de contaminação e ações de melhoria

A vulnerabilidade da água da praia do Leblon está ligada ao despejo de água contaminada e ao impacto das chuvas. Paranhos alerta que, após chuvas fortes, não é recomendável ir à praia, pois a água da chuva pode misturar esgoto com a água do mar. O Inea reconhece que o trecho da rua Afrânio de Melo Franco é o mais afetado, devido à sua proximidade com o canal do Jardim de Alah.

A Secretaria Estadual de Ambiente e Sustentabilidade informou que a melhora da praia está relacionada à otimização de estruturas e dispositivos na área de captação dos canais, além do tratamento e lançamento de água tratada pelo emissário submarino de Ipanema. Essas ações foram implementadas após a concessão do saneamento básico e com investimentos das novas concessionárias.

Panorama geral das praias do estado

Em 2025, 69 praias melhoraram sua classificação em relação ao ano anterior, enquanto 47 pioraram. No total, 66 praias foram consideradas próprias para banho, e 200 apresentaram resultados impróprios em algum momento do ano. A classificação anual é baseada em medições semanais que seguem normas federais e critérios da Cetesb. Uma praia é considerada ruim quando fica imprópria entre 25% e 50% do tempo na avaliação anual, enquanto a classificação péssima é aplicada quando o índice de medições desfavoráveis supera 50%.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Eduardo Anizelli / Folhapress