Menos nascimentos e desigualdade: o Raio-X do Rio 2025

Estudo do IBGE revela contrastes na população carioca.

O Raio-X do Rio de 2025 mostra menos nascimentos e desigualdade de renda entre as zonas da cidade.

Em um panorama preocupante, o Raio-X do Rio de 2025, realizado pelo Instituto Pereira Passos, revela uma queda significativa nos nascimentos na cidade. No último ano, somente 163 mil cariocas vieram ao mundo, representando uma diminuição de 12 mil em relação ao ano anterior, o que equivale a uma redução de 7%.

O cenário das crianças na cidade

A pesquisa indica que a Zona Oeste do Rio abriga o maior número de crianças com até quatro anos. Bairros como Campo Grande e Santa Cruz se destacam com uma concentração de entre 15 mil e 19 mil crianças nessa faixa etária. Em contrapartida, áreas nobres da Zona Sul, como Leblon, Ipanema e Lagoa, apresentam números alarmantemente baixos, com no máximo 1,5 mil crianças.

Desigualdade de renda entre as zonas

A análise também traz à tona a desigualdade de renda entre as diferentes regiões da cidade. A faixa litorânea, que inclui bairros da Zona Sul e Zona Oeste, como a Barra da Tijuca, é onde os domicílios apresentam os maiores rendimentos, variando entre R$ 7,5 mil e R$ 18,1 mil por mês. Por outro lado, áreas da Zona Norte, incluindo Acari e Costa Barros, mostram uma realidade oposta, com rendimentos médios que não ultrapassam R$ 1,5 mil.

Dentre os dados mais alarmantes, destaca-se que 34% dos moradores de favelas vivem em locais inacessíveis por veículos, um número muito superior à média nacional de 19%. Na Rocinha, por exemplo, 81,9% das vias não permitem a circulação de carros, evidenciando um grave problema de mobilidade urbana.

Qualidade de vida e áreas verdes

Além disso, a pesquisa do IBGE aponta que a falta de áreas verdes tem um impacto direto na qualidade de vida dos cariocas. Em locais como Rio das Pedras, 95% das ruas não possuem árvores. Em regiões como o Morro da Coroa e o Cantagalo, a situação é ainda mais crítica, com 100% das ruas sem sombra.

Para Marcela Abla, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil no Rio (IAB-RJ), esses dados são fundamentais para a formulação de políticas públicas mais eficazes. Ela ressalta a importância de iniciativas como o Parque de Realengo, que ajudam a mitigar ilhas de calor e a melhorar a qualidade de vida da população. “É preciso pensar em grandes parques, mas também em pequenos jardins e praças de convívio que diminuam as altas temperaturas e ampliem a qualidade de vida”, conclui a urbanista.