Pasquale utiliza música de Caetano para ensinar gramática

Reflexões sobre a língua portuguesa em colunas históricas.

Pasquale Cipro Neto faz uso da música 'Língua' de Caetano Veloso para abordar aspectos da gramática de forma leve e acessível.

A gramática através da música

Pasquale Cipro Neto, renomado professor e gramático, trouxe à tona uma discussão instigante ao usar a canção “Língua” de Caetano Veloso como ponto de partida para reflexões sobre a gramática da língua portuguesa. Publicada na Folha em 1999, a coluna desafia o preconceito que muitas vezes cercou o uso de letras de músicas populares em ambientes acadêmicos, mostrando que elas podem ser uma rica fonte de aprendizado.

A conexão entre letras e gramática

Na coluna, Pasquale destaca a letra da música, que já foi até incluída em provas de vestibular, e a relaciona com o poema “Língua Portuguesa” de Olavo Bilac. Ao fazer isso, ele não apenas promove uma análise linguística, mas também uma apreciação estética da língua, mostrando como a poesia e a música se entrelaçam.

Um dos pontos altos da coluna é a interpretação do verso “Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões”, onde Pasquale explora a ideia de que a língua portuguesa é um organismo vivo, em constante evolução e mistura. Essa abordagem não apenas enriquece o entendimento da língua, mas também a torna mais acessível e interessante aos estudantes.

A importância da música na educação

O uso de músicas populares como ferramenta pedagógica é uma estratégia que vem ganhando força nos últimos anos. A inclusão de músicas em contextos educacionais permite que os alunos se conectem de forma mais emocional e intuitiva com o conteúdo, levando a uma aprendizagem mais significativa. A iniciativa de Pasquale é um exemplo claro de como a intersecção entre arte e educação pode promover um aprendizado mais dinâmico e envolvente.

Conclusão: um legado cultural

Com a coluna, Pasquale não apenas discute gramática; ele também celebra a cultura brasileira e a importância de suas expressões artísticas. Ao afirmar que “o preconceito contra a letra de música popular está definitivamente superado”, ele ressalta a relevância de se reconhecer a riqueza da língua em todas as suas formas, incluindo aquelas que emergem da música popular. Essa abordagem não apenas educa, mas também inspira uma nova geração a ver a língua portuguesa como uma bela e complexa tapeçaria de significados.