Desmatamento na Amazônia e Cerrado Cai 9% em 2025, Mas Área Sob Alerta Continua Alta

Redução reforça tendência dos últimos dois anos com ações intensificadas de fiscalização e monitoramento

O desmatamento na Amazônia e no Cerrado recuou 9% em 2025, segundo dados preliminares do Inpe, indicando avanço nas ações de combate, embora a área total sob alerta ainda seja preocupante.

O desmatamento cai 9% em 2025 na Amazônia e no Cerrado, segundo dados preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Embora a redução represente um avanço significativo em relação a anos anteriores, a área total sob alerta de desmate nos dois biomas permanece acima de 9 mil km², evidenciando a necessidade de manter e ampliar as ações de fiscalização e preservação.

Cenário Atual do Desmatamento no Brasil

Em 2025, a Amazônia registrou 3.817 km² de área sob alerta de desmatamento, o que representa uma queda de 8,7% em comparação com 2024. Já o Cerrado apresentou 5.369 km², reduzindo 9% frente ao ano anterior. Esses números são levantados pelo sistema Deter, do Inpe, que serve para emitir alertas rápidos e subsidiar ações de órgãos como o Ibama na prevenção e combate ao desmate.

Essa redução acompanha uma tendência observada desde 2024, com o desmatamento na Amazônia atingindo o menor patamar em oito anos. No Cerrado, a taxa de 2025 é a mais baixa desde 2021. Apesar disso, a soma das áreas perdidas alcança o equivalente a seis vezes a área da cidade de São Paulo, demonstrando a magnitude do desafio.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) atribui a desaceleração no ritmo de queda, especialmente na Amazônia, a eventos climáticos como a seca extrema e incêndios florestais em 2024, que aumentaram a degradação. No entanto, desde agosto de 2025, os alertas do sistema Deter indicam nova redução, resultado do fortalecimento das ações interministeriais e da fiscalização ambiental.

Destaques Regionais e Dinâmicas do Desmatamento

Mato Grosso: Respondeu por quase metade da área de desmatamento na Amazônia, totalizando 1.497 km² em 2025 — um aumento de quase 60% em relação a 2024, configurando o terceiro maior índice desde 2015.
Pará: Apresentou 979 km² de desmatamento, com redução de 36% comparado ao ano anterior.
Amazonas: Registrou 721 km², com queda de 9%.
Maranhão, Tocantins e Piauí: Lideram o desmatamento no Cerrado com 1.190 km², 1.133 km² e 1.005 km², respectivamente.
Bahia: Com 703 km², também representa um ponto crítico dentro da região conhecida como Matopiba, importante por concentrar agronegócio e áreas preservadas.

As dinâmicas do desmatamento diferem entre os biomas. No Cerrado, a maior parte ocorre em propriedades privadas, onde a legislação permite a supressão de até 80% da vegetação nativa, enquanto na Amazônia o limite é de 20%. Essas regras têm implicações diretas no monitoramento e controle da degradação ambiental.

Ações e Recomendações para o Combate ao Desmatamento

Fiscalização Integrada: O governo federal intensificou o diálogo com estados do Matopiba, aprimorando processos de autorização e fiscalização.
Monitoramento Tecnológico: Ampliação do uso do sistema Deter para alertas em tempo real.
Prevenção de Incêndios: Campanhas e ações para reduzir focos de queimadas, especialmente durante períodos de seca.
Fortalecimento Legal: Revisão e aplicação rigorosa das normas ambientais para propriedades rurais.
Engajamento dos Estados: Cooperação técnica para reduzir desmatamento ilegal e incentivar práticas sustentáveis.

Serviço e Segurança para o Meio Ambiente

Para que a tendência de queda no desmatamento se mantenha e se amplie na temporada de 2026, é essencial o apoio contínuo da sociedade, setores produtivos e órgãos públicos. O monitoramento ambiental deve ser aliado a políticas que promovam o desenvolvimento sustentável, respeitando os limites legais e ecológicos.

Além disso, a conscientização pública sobre os impactos do desmatamento e a importância da preservação dos biomas são fundamentais para garantir a proteção da biodiversidade e o combate às mudanças climáticas. O acompanhamento regular dos dados do Inpe e as iniciativas do MMA devem continuar sendo prioridade para o governo e a população.

Este panorama reforça que, embora os números de 2025 tragam uma boa notícia, o desafio do desmatamento no Brasil é complexo e exige ações coordenadas e persistentes para preservar os recursos naturais e garantir um futuro ambiental equilibrado.