A trajetória da psicanalista que redefiniu o papel da mulher na disciplina e fomentou a pesquisa acadêmica no Brasil

Malvine Zalcberg destacou-se na psicanálise brasileira ao dar voz ao feminino e criar programa acadêmico pioneiro.
Malvine Zalcberg e o protagonismo feminino na psicanálise brasileira
Malvine Zalcberg, nascida em 1934 na Antuérpia, Bélgica, tornou-se uma figura central na psicanálise brasileira ao colocar o feminino no centro das discussões acadêmicas e clínicas. Sua trajetória, marcada pela fuga do nazismo e acolhimento no Brasil, reflete uma história de resistência e transformação. Durante sua carreira, Malvine dedicou-se a explorar a complexidade das relações maternas e a singularidade da feminilidade, temas que até então recebiam atenção limitada no campo.
Contribuições teóricas fundamentais para a compreensão da feminilidade
Entre suas obras mais influentes, “A relação mãe e filha” destaca-se por discutir a distinção entre as funções materna e feminina, oferecendo uma nova perspectiva sobre o desenvolvimento da filha dentro da dinâmica familiar. Em “Amor, paixão feminina”, Malvine evidencia o papel ativo das mulheres na construção dos relacionamentos amorosos, invertendo antigos paradigmas e ressaltando a importância do amor cultivado pelo feminino.
Liderança acadêmica e impacto institucional na pós-graduação
Na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Malvine foi a força motriz para a criação do Programa de Pós-graduação em Psicanálise em 1997, uma iniciativa pioneira que fortaleceu a pesquisa na área dentro da universidade pública. Seu trabalho acadêmico instigou uma geração inteira de psicanalistas, consolidando uma base sólida para o estudo e desenvolvimento da psicanálise no Brasil.
A prática clínica e a sensibilidade na análise de relações humanas
Além da teoria e da pesquisa, Malvine Zalcberg se destacou pela prática clínica, aplicando seus conhecimentos com empatia e elegância. Ela possuía um olhar apurado para as nuances das relações amorosas, utilizando inclusive a análise de filmes como ferramenta para compreender as dinâmicas afetivas contemporâneas, mantendo-se ativa até seus 90 anos.
Legado pessoal e cultural deixado por Malvine Zalcberg
A trajetória de Malvine não se limita ao campo profissional. Seu casamento de seis décadas com o arquiteto Schaias Zalcberg, falecido em 2019, e sua família extensa refletem a vida de uma mulher que soube equilibrar realizações pessoais e profissionais. Sua morte em 9 de dezembro de 2025, em São Paulo, encerra um ciclo de resistência, contribuição e protagonismo, deixando um legado que inspira tanto a psicanálise quanto a valorização da mulher na ciência e na cultura brasileira.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Arquivo pessoal





