A ofensiva russa atinge infraestrutura energética ucraniana, intensificando o impacto do inverno rigoroso e complicando a resistência civil e militar

Ataques da Rússia ao sistema energético agravaram o inverno mais severo na Ucrânia desde 2022, causando apagões e dificuldades extremas à população.
Impacto dos ataques da Rússia no sistema energético ucraniano em janeiro de 2026
Os ataques da Rússia ao sistema energético da Ucrânia, especialmente na região de Kiev, têm agravado o inverno severo que o país enfrenta em 2026. Nesta terça-feira, dia 13, a capital e areas próximas ficaram sem energia em aproximadamente metade do território, com temperaturas de até -12 graus Celsius e fortes nevascas. O governo revelou que milhares de imóveis permanecem sem eletricidade, apesar dos esforços para reparos. O presidente Volodimir Zelenski enfatizou que o frio não vencerá a guerra, destacando a intensidade dos ataques que envolvem 293 drones e 18 mísseis. Essa ofensiva tem causado apagões que afetam sistemas de aquecimento e distribuição de água, comprometendo duramente as condições de vida dos moradores.
Medidas de emergência e respostas do governo ucraniano diante do inverno rigoroso
Em resposta ao agravamento da crise, o governo ucraniano tem tomado medidas emergenciais para mitigar os efeitos da falta de energia. Kiev instalou 68 pontos com geradores, proporcionando calor e carregamento de celulares para seus cidadãos. Além disso, há cerca de 1.200 abrigos aquecidos disponíveis. A prefeitura recomendou que aqueles que têm condições deixem a cidade, embora não tenha declarado uma ordem formal de evacuação devido à logística complicada para realocar 3 milhões de habitantes. O governo também estoca madeira – cerca de 220 mil metros cúbicos – para distribuição em áreas mais críticas, como a linha de frente e cidades fortemente impactadas. A importação de energia aumentou 54% em relação a junho de 2025, demonstrando os esforços para suprir as necessidades básicas.
Consequências humanitárias e condições de vida sob as temperaturas polares
A piora do inverno traz consequências humanitárias significativas. Moradores têm recorrido a soluções improvisadas para aquecimento, como uso de lareiras e aquecedores de campanha. Em locais como Krivii Rih, cidade natal do presidente Zelenski, há relato de falta crônica de energia e água potável limitada, forçando a população a derreter neve para consumo. Jornalistas que deixaram cidades na linha de frente relatam a impossibilidade de suportar as condições, evidenciando o sofrimento da população civil. A destruição sistemática da infraestrutura energética e de gás, utilizada para aquecimento, intensifica a vulnerabilidade da população frente ao inverno rigoroso.
Dinâmica política e militar em meio à crise energética e humanitária
O cenário da guerra da Ucrânia permanece tenso, com renovadas ofensivas russas focadas em atingir infraestruturas essenciais para enfraquecer o país durante o inverno. A ofensiva inclui o lançamento de um míssil Orechnik, arma de potencial nuclear, contra instalações militares próximas à Polônia, membro da Otan. No campo das negociações, Zelenski aguarda avaliação do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump sobre um plano de cessar-fogo que sugere a participação da Otan como garantidora do acordo, uma proposta considerada impensável pela Rússia. Enquanto isso, o Kremlin mantém discurso de rearmamento e continuidade da guerra, refletindo a manutenção do conflito sem perspectivas imediatas de resolução.
Deslocamento voluntário e estratégias de sobrevivência da população ucraniana
Com os ataques da Rússia elevando o sofrimento no pior inverno desde o início da guerra, muitos moradores de Kiev e outras regiões se veem forçados a considerar a saída das cidades, quando possível. O deslocamento, embora voluntário, é incentivado pela administração local como forma de preservar vidas diante da crise energética e das baixas temperaturas. Para os que permanecem, o improviso é constante, com a utilização de abrigos aquecidos, pontos de geradores e métodos alternativos para consumo de água e aquecimento. Essa realidade reflete a resiliência da população ucraniana diante dos desafios humanitários impostos pela guerra e pelo inverno rigoroso.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Reuters





