Orientações técnicas buscam manter a produção de tilápia diante das altas temperaturas no Oeste do Estado

O Paraná orienta produtores sobre manejo de viveiros para manter a piscicultura sustentável mesmo com altas temperaturas no verão.
Manejo de viveiros é crucial para a piscicultura do Paraná no verão
O manejo de viveiros é fundamental para o sucesso da piscicultura no Paraná, especialmente diante das altas temperaturas registradas no verão em todo o Estado. Como o principal produtor nacional de tilápias, o Paraná enfrenta desafios que exigem cuidados específicos para manter a produtividade e a saúde dos peixes. Na região de Toledo, um dos maiores polos de piscicultura, técnicos do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) reforçam a necessidade de monitorar a temperatura e a oxigenação da água com frequência para evitar perdas.
Impactos da temperatura e densidade de peixes na produção estadual
Segundo o veterinário Gelson Hein, do IDR-Paraná, a temperatura ideal para o desenvolvimento da tilápia está entre 24ºC e 30ºC, faixa em que os peixes apresentam melhor alimentação e conversão alimentar. Porém, no Oeste do Paraná, as temperaturas facilmente ultrapassam 30ºC durante o dia, o que pode comprometer o crescimento dos animais. Além disso, o aumento significativo da densidade dos peixes nos tanques — que passou de 2 ou 3 para até 15 peixes por metro quadrado em algumas propriedades — eleva o consumo de oxigênio e a necessidade de manejo cuidadoso para evitar estresse e mortalidade.
Monitoramento constante da qualidade da água para evitar perdas noturnas
O monitoramento contínuo dos níveis de oxigênio dissolvido é essencial, principalmente à noite, quando as algas presentes nos viveiros deixam de produzir e passam a consumir oxigênio, podendo causar falta temporária desse elemento vital. Por isso, os piscicultores devem manter os aeradores em operação 24 horas por dia em tanques com biomassa superior a 5 toneladas por hectare. O ideal é garantir que o viveiro apresente entre 4 e 5 mg de oxigênio por litro de água, ajustando a aeração conforme as condições para evitar desperdício energético.
Ajustes na alimentação para melhor aproveitamento e qualidade da água
O veterinário do IDR-Paraná ressalta que a alimentação dos peixes deve ser ajustada conforme a temperatura e a disponibilidade de oxigênio. Em momentos de queda no oxigênio pela manhã, a oferta de ração deve ser retardada até que os níveis alcancem pelo menos 4 mg/L. Em dias de temperatura acima de 30ºC, recomenda-se reduzir ou até suspender uma alimentação para evitar sobra de ração, que pode comprometer a qualidade da água e o ambiente dos peixes.
Parâmetros ambientais e infraestrutura para aumento da produtividade
Além da temperatura e oxigênio, outros parâmetros da água como pH, alcalinidade, teor de amônia, nitrito, dureza e transparência são determinantes para a qualidade do ambiente nos tanques. O ciclo completo de engorda para peixes com peso entre 900 g e 1 kg dura cerca de 210 dias, mas o manejo aprimorado pode reduzir esse período. Uma das soluções adotadas é o aumento da profundidade dos tanques, que atualmente pode chegar a até 4 metros, contra os 1,5 metro antigos, proporcionando maior estabilidade nos parâmetros ambientais e melhorando a produtividade da piscicultura no Paraná.






