Santiago Peña destaca influência decisiva do ex-presidente brasileiro na negociação do tratado comercial
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou que o acordo Mercosul UE só foi possível graças ao trabalho do presidente Lula durante sua gestão no Mercosul.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, declarou em 17 de janeiro de 2026 que o acordo Mercosul UE só foi possível graças à atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante seu mandato à frente do Mercosul. Peña enfatizou a importância do trabalho diplomático de Lula no processo que levou à assinatura do tratado comercial, realizada no Gran Teatro José Asunción Flores, em Assunção.
Papel decisivo de Lula na negociação
Peña afirmou que “sem o presidente Lula, o acordo não teria saído do papel”, reconhecendo seu papel fundamental nas negociações que duraram mais de duas décadas. Embora Lula não tenha participado presencialmente da cerimônia, foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que participou do encontro junto com líderes dos países do Mercosul e representantes da União Europeia.
Estrutura e abrangência do acordo
O tratado de livre comércio entre Mercosul e UE abarca cerca de 780 milhões de consumidores, representando aproximadamente 25% do Produto Interno Bruto mundial. O acordo busca reduzir gradualmente tarifas alfandegárias, facilitar o comércio de bens e serviços e promover compromissos relacionados ao meio ambiente, como o combate ao desmatamento e o cumprimento do Acordo de Paris.
As principais características incluem:
Eliminação gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços
Preferência para produtos industriais europeus e agropecuários sul-americanos
Inclusão de cláusulas ambientais vinculantes
Regras rigorosas em padrões sanitários e fitossanitários
- Proteção à propriedade intelectual e apoio a pequenas e médias empresas
Desafios para implementação
Apesar da assinatura, o acordo precisa ser aprovado pelos parlamentos dos países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e pelos órgãos legislativos da União Europeia. Essa etapa é crucial para transformar o compromisso em regras comerciais efetivas.
Durante o processo de ratificação, partes do acordo poderão ser aplicadas provisoriamente, como a redução de tarifas, antecipando benefícios econômicos. A tramitação legislativa poderá enfrentar divergências, especialmente na UE, onde decisões continentais podem se chocar com as nacionais.
Impactos econômicos esperados
Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o acordo tem potencial para aumentar o PIB brasileiro em 0,46% até 2040, equivalente a aproximadamente R$ 50 bilhões. Em 2025, o comércio entre Brasil e UE atingiu recordes históricos, reforçando a importância do tratado para ampliar o mercado e incentivar o desenvolvimento sustentável.
Repercussão e declarações
O presidente Lula comemorou a assinatura do acordo como uma “vitória do multilateralismo” e um marco no fortalecimento do diálogo entre os blocos, capaz de gerar emprego, renda e progresso econômico. Por sua vez, líderes como Ursula von der Leyen e Santiago Peña destacaram o potencial transformador do tratado para as relações comerciais e ambientais entre as regiões.
Este acordo representa não apenas um avanço comercial, mas também um compromisso conjunto em questões ambientais, regulatórias e sociais, sinalizando um futuro de cooperação ampliada entre América do Sul e Europa.





