BRB avalia venda de ativos para fortalecer finanças diante do caso Master

Banco de Brasília nega risco de intervenção e mantém operação normal após impacto das fraudes no Banco Master

BRB avalia venda de ativos para fortalecer finanças diante do caso Master
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

BRB descarta intervenção e considera venda de ativos do Master para reforçar posição financeira, enquanto auditorias seguem em andamento.

O Banco de Brasília (BRB) descartou qualquer risco de intervenção e comunicou que está avaliando a venda de ativos recuperados do Banco Master para fortalecer sua posição financeira. Essa decisão ocorre em meio às investigações sobre fraudes relacionadas ao banco privado, que impactaram diretamente o BRB.

Contexto das investigações e impacto financeiro

As investigações indicam que o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito posteriormente consideradas fraudulentas pelo Banco Central. Além disso, o banco estatal investiu mais de R$ 5 bilhões em outras operações vinculadas ao Banco Master, incluindo compras em fundos de investimento. Essas operações, realizadas em 2024 e 2025, estão sob avaliação da nova administração do BRB, que assumiu em substituição à antiga diretoria.

Medidas adotadas pelo BRB

Em nota oficial, o BRB ressaltou que possui suficiência patrimonial para enfrentar os efeitos das investigações. O banco também afirmou que eventuais recomposições de capital serão avaliadas após a conclusão das auditorias independentes e análises do Banco Central, não havendo qualquer urgência neste momento. A instituição mantém um plano para recomposição de capital, que contempla aportes do acionista controlador, o Governo do Distrito Federal, sem prejudicar recursos destinados a políticas públicas.

Acompanhamento do Banco Central e Ministério da Fazenda

O Banco Central determinou restrições às atividades do BRB, incluindo a limitação de novas aquisições de ativos financeiros e a necessidade de um plano de solução no prazo de seis meses a partir de outubro de 2025. O BRB descumpriu temporariamente limites prudenciais em janeiro e fevereiro de 2025, o que motivou essas medidas.

O Ministério da Fazenda negou que o ministro Fernando Haddad tenha tratado com o governo do Distrito Federal ou com a direção do BRB sobre aporte imediato de capital ou risco de intervenção, esclarecendo rumores divulgados pela imprensa. Contudo, não comentou sobre discussões técnicas entre o Banco Central e a instituição financeira.

Transparência e operação normal

O BRB afirmou que as operações relacionadas ao caso Master estão sob investigação forense conduzida por escritório independente, com acompanhamento das autoridades competentes. O banco reforçou que opera normalmente, e que quaisquer informações não oficiais sobre sua situação financeira são especulativas. O balanço referente ao terceiro trimestre não foi divulgado devido à apuração em curso dos valores de eventuais prejuízos.

Perspectivas e desafios

A situação do BRB reflete os desafios de gestão e risco enfrentados por bancos públicos em operações complexas com instituições privadas. A estratégia de venda de ativos recuperados representa uma tentativa de mitigar impactos financeiros e restaurar confiança no mercado. A atuação conjunta do Banco Central, Ministério da Fazenda e do governo local será determinante para os próximos desdobramentos e para garantir a estabilidade da instituição diante do episódio envolvendo o Banco Master.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Fonte: Joédson Alves/Agência Brasil