Transferência para paraíso fiscal nas Ilhas Virgens Britânicas levanta questionamentos sobre operações do fundo Arleen

Fundo de investimentos Arleen, ligado a irmãos de Toffoli, transferiu R$ 34 milhões para empresa offshore nas Ilhas Virgens Britânicas em 2025.
O fundo de investimentos Arleen, que esteve envolvido em negócios com os irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), realizou uma transferência significativa de seus ativos ao final de 2025 para uma empresa offshore localizada nas Ilhas Virgens Britânicas, um conhecido paraíso fiscal.
Contexto da transferência
Entre 2021 e 2025, o fundo Arleen participou da sociedade do resort Tayayá, situado em Ribeirão Claro (PR), juntamente com José Eugenio Toffoli e José Carlos Toffoli, irmãos do ministro do STF, além de um primo do magistrado. O Arleen adquiriu cotas de empresas pertencentes a esses familiares e fazia parte de uma rede complexa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O fundo Arleen, por sua vez, era controlado pelo fundo Leal, que, segundo reportagens, pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Em novembro de 2025, o Arleen decidiu encerrar suas operações, inicialmente determinando o resgate dos ativos para pagamento aos cotistas. No entanto, em dezembro do mesmo ano, uma nova assembleia reverteu essa decisão, optando pela transferência das cotas, avaliadas em cerca de R$ 34 milhões, para a Égide I Holding, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas.
Perfil da Égide I Holding
A Égide I Holding foi constituída em março de 2025 e utiliza uma caixa postal vinculada a uma administradora especializada em gestão de empresas em paraísos fiscais, sem divulgar seus proprietários reais. Essa estrutura reforça o grau de sigilo e dificulta o rastreamento das operações e beneficiários finais.
No balanço de maio de 2025, o Arleen possuía cerca de R$ 11,5 milhões em ações da Égide I, além de outros investimentos no resort Tayayá e na DGEP, totalizando aproximadamente R$ 20,8 milhões em participações relacionadas.
Desdobramentos e posições dos envolvidos
Os irmãos de Toffoli venderam suas participações do resort Tayayá e da DGEP em 2025 para Paulo Humberto Barbosa, advogado da JBS em Goiânia, que atualmente é o único proprietário dessas operações. Barbosa declarou desconhecer as movimentações do fundo Arleen.
Por sua vez, a defesa de Daniel Vorcaro negou qualquer envolvimento ou conhecimento sobre os fundos Arleen e Leal, classificando como falsa a associação feita pela imprensa. O ministro Dias Toffoli e seus irmãos não se pronunciaram sobre o assunto.
Relação com o caso Master
Dias Toffoli é relator no STF do caso Master, que envolve investigações sobre a venda de créditos sem lastro no valor de R$ 12,2 bilhões para o BRB. Esse processo inclui apurações que envolvem Daniel Vorcaro e o Banco Master, que já resultaram na prisão temporária de Vorcaro.
A permanência de Toffoli no julgamento do caso gerou debates, mas o ministro justificou que não há impedimento legal ou motivos subjetivos para afastamento.
A movimentação dos ativos do fundo Arleen para uma offshore em paraíso fiscal nas Ilhas Virgens Britânicas adiciona uma camada de complexidade e suscita questionamentos sobre transparência e possíveis interesses financeiros ligados a pessoas próximas ao ministro do STF.
A situação reforça a importância de monitoramento rigoroso das operações financeiras envolvendo autoridades e seus familiares, especialmente em contextos que envolvem investigados e processos judiciais de grande repercussão.
Fonte: www1.folha.uol.com.br





