Presidente ucraniano critica resposta europeia e menciona ação dos EUA na Venezuela
Zelensky cobra sanções contra a Rússia e critica a fragmentação europeia durante Fórum Econômico Mundial de Davos.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, marcou presença no Fórum Econômico Mundial de Davos em 22 de janeiro de 2026, onde fez um apelo incisivo por sanções mais rígidas contra a Rússia. Zelensky destacou a necessidade de uma ação europeia coordenada, especialmente no que tange ao confisco do petróleo russo para benefício do continente.
Sanções econômicas como estratégia de defesa
Durante seu discurso, Zelensky questionou: “Por que Trump pode confiscar o petróleo na Venezuela, mas a Europa não pode confiscar o petróleo da Rússia? O petróleo russo deve ser confiscado e utilizado para o bem da Europa”. O presidente ucraniano enfatizou que a falta de recursos financeiros cortaria a capacidade de guerra da Rússia, afirmando que “se Putin não tem dinheiro, não há guerra na Europa”.
Crítica à fragmentação e reação europeia
Zelensky criticou a Europa por sua resposta desarticulada às ameaças à segurança regional, apontando que um ano após seu alerta no mesmo fórum, “nada mudou”. Ele descreveu o continente como “um caleidoscópio fragmentado de pequenos e médios poderes”, que ainda não alcançou o status de potência política consolidada.
Um dos pontos altos do discurso foi a menção à tentativa de intervenção dos Estados Unidos na Groenlândia, destacando a simbólica presença militar europeia no local. Zelensky questionou a eficácia do envio de apenas 14 ou 20 soldados, ressaltando que “40 soldados não vão proteger nada” e questionando a mensagem que isso transmite a Rússia e à China.
Diálogo com Donald Trump e perspectivas para o conflito
Em aproximadamente uma hora antes de seu discurso, Zelensky se reuniu com o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, para discutir possíveis caminhos para o término do conflito com a Rússia. Trump qualificou o encontro como “bom e produtivo” e enfatizou que “o conflito precisa terminar”.
Zelensky informou que “os documentos de garantia de segurança no pós-guerra estão quase prontos, mas nenhuma garantia é válida sem os EUA”, reforçando a importância do envolvimento americano para a estabilidade futura da região.
Participação confirmada em meio a ataques
A presença de Zelensky em Davos foi confirmada apenas um dia antes, após uma escalada nos ataques russos à infraestrutura energética da Ucrânia. A decisão de participar do fórum mesmo diante da crise indica a prioridade dada a esse diálogo internacional e à busca por apoio mais contundente à causa ucraniana.
O discurso de Zelensky em Davos expõe as tensões entre as expectativas ucranianas e as respostas europeias, ressaltando o papel central das sanções econômicas e da articulação política internacional no contexto da guerra na Ucrânia.





