Primeiro dia de diálogo foca em soluções para o conflito no Donbass e o papel dos EUA
Negociações entre Ucrânia, Rússia e EUA começaram em Abu Dhabi com foco na paz e na retirada das tropas ucranianas do Donbass.
Representantes da Rússia, Ucrânia e Estados Unidos reuniram-se pela primeira vez em Abu Dhabi no dia 23 de janeiro de 2026 para iniciar negociações diretas que buscam encerrar o conflito armado no leste da Ucrânia, especialmente na região do Donbass, epicentro das tensões desde 2019.
Contexto das negociações
A sessão inaugural ocorreu após meses de ataques intensificados e um ciclo de encontros de alto nível: o presidente ucraniano Volodimir Zelensky esteve em Davos para falar com o presidente americano Donald Trump, enquanto em Moscou o presidente Vladimir Putin recebeu os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner. Esses encontros prepararam o terreno para o diálogo tripartite, fortemente pautado pela proposta de Washington para um cessar-fogo duradouro.
Demandas e posições das partes
A Rússia mantém como condição essencial a retirada completa das forças armadas ucranianas do Donbass, área estratégica composta por Donetsk e Lugansk, parcialmente controlada por Moscou e palco dos combates mais intensos. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, reforçou que “sem uma solução para a questão territorial não há possibilidade de um acordo de longo prazo”.
Por sua vez, a delegação ucraniana, liderada pelo negociador Rustem Umerov, afirma buscar “uma paz digna e duradoura”, negando concessões que comprometam a soberania nacional e evidenciando a importância do apoio americano como fator decisivo para o sucesso da negociação.
A influência dos Estados Unidos
O papel dos EUA se destaca como elemento-chave para a mediação do conflito. A presença dos enviados americanos na mesa de diálogo ressalta o interesse de Washington em garantir garantias de segurança à Ucrânia e evitar uma escalada maior do conflito. Zelensky mencionou ter alcançado avanços nas garantias de segurança durante o encontro com Trump, embora tenha reconhecido a complexidade do diálogo.
Impactos no terreno e desafios
Enquanto as negociações avançam, a Ucrânia sofre ainda os efeitos dos ataques russos à sua infraestrutura energética, com apagões graves afetando a capital Kiev e outras regiões, intensificando o sofrimento civil no inverno rigoroso. Além disso, confrontos recentes na região de Donetsk e Kharkiv resultaram em vítimas civis, incluindo crianças, o que aumenta a urgência da busca por um acordo.
Próximos passos
A retomada das conversas está prevista para o dia seguinte, 24 de janeiro, com expectativa de aprofundamento dos temas centrais, especialmente a questão do Donbass, que Zelensky afirmou ser fundamental. O avanço dependerá diretamente da capacidade de conciliação entre as demandas russas e ucranianas, além do papel mediador dos Estados Unidos.
As negociações representam um momento decisivo para a tentativa de encerrar um conflito que já dura mais de quatro anos, com milhares de mortos e um cenário humanitário grave. A comunidade internacional observa atentamente os desdobramentos dessas conversas em Abu Dhabi, na esperança de que possam abrir caminho para uma solução política e diplomática.





