Crédito de carbono pode ser usado como garantia em contratos financeiros

Especialista destaca novas possibilidades para ativos de carbono no mercado brasileiro

Crédito de carbono pode ser usado como garantia em contratos financeiros
Crédito de carbono. Imagem ilustrativa • Unsplash/ Towfiqu barbhuiya

Advogado Luiz Roberto de Assis defende o uso do crédito de carbono como garantia em contratos financeiros, destacando o valor econômico e legal desses ativos.

O crédito de carbono está ganhando novas perspectivas no mercado financeiro brasileiro, especialmente com o avanço da regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Luiz Roberto de Assis, advogado especializado e sócio do Levy & Salomão Advogados, defende que esses ativos podem ser usados como garantia em contratos financeiros, abrindo um campo promissor para investidores e empresas.

O valor econômico e legal do crédito de carbono

A aprovação da lei 15.042 instituiu o SBCE e definiu claramente os tipos de créditos de carbono existentes: a Cota Brasileira de Emissão (CBE), o Certificado de Redução ou Remoção Verificada de Emissões (CRVE), e os Créditos de Carbono genéricos ou verificados. Essa definição legal confere um status de ativo financeiro com valor econômico ao crédito de carbono, possibilitando seu uso como garantia em financiamentos e empréstimos.

Assis ressalta que, embora a ideia seja pioneira e pouco explorada no Brasil e mesmo em mercados estrangeiros mais maduros, o crédito de carbono já possui um valor econômico palpável. “Ele tem um nascimento, uma definição legal — isso o torna um ativo financeiro formal, que pode ser usado como garantia”, explica.

Desafios e oportunidades na utilização como garantia

Um dos principais desafios apontados é a volatilidade dos preços dos créditos de carbono, característica comum em mercados emergentes de ativos financeiros. O especialista compara essa volatilidade inicial com a do bitcoin em seus primeiros anos.

Apesar disso, ele acredita que a volatilidade não impede o uso dos créditos como garantia desde já. O mercado deve se solidificar com o tempo, reduzindo a instabilidade dos preços. Além disso, os contratos poderão conter cláusulas específicas para mitigar riscos, como descontos exigidos pelo credor e regras para substituir créditos “aposentados”, ou seja, aqueles já usados para cumprimento de metas ambientais e que perdem valor.

Expectativas para aceitação no mercado e aplicações iniciais

No curto prazo, Assis prevê uma aceitação restrita por parte dos credores para o uso do crédito de carbono como garantia. Contudo, ele aposta que seu uso deve ganhar corpo inicialmente em projetos relacionados diretamente à descarbonização da economia, onde o ativo é mais reconhecido e valorizado.

Ele compara a diversidade dos créditos de carbono com a variedade de ações no mercado financeiro, destacando que diferentes ativos possuem liquidez e características distintas, mas podem ser aceitos como garantia mediante ajustes contratuais adequados.

A importância da certificação e contratos adaptados

Para que os créditos de carbono possam ser efetivamente usados como garantia, a certificação dos ativos será fundamental. Essa certificação atestará a qualidade e autenticidade dos créditos negociados, reduzindo riscos para credores e investidores.

Além disso, contratos específicos deverão contemplar as peculiaridades do crédito de carbono, como a possibilidade de desvalorização e a necessidade de substituição dos créditos “aposentados” durante o período em que estiverem vinculados como garantia.

Mercado brasileiro de carbono em expansão

A lei 15.042 também determina que setores industriais específicos sejam obrigados a compensar suas emissões de gases de efeito estufa, e que instituições financeiras, como seguradoras e fundos de previdência, adquiram um percentual mínimo de créditos de carbono sobre suas reservas técnicas. Essa medida cria uma demanda estruturada para o mercado de carbono, reforçando seu potencial de crescimento e a importância da valorização desses ativos.

Assim, o uso do crédito de carbono como garantia pode representar uma nova frente para financiar iniciativas sustentáveis, impulsionar a economia verde e oferecer mais segurança jurídica para investidores e credores interessados nessa classe de ativos.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: de carbono. Imagem ilustrativa • Unsplash/ Towfiqu barbhuiya