Futuro em disputa no Fórum Econômico Mundial em Davos

Davos revela que inteligência artificial, liderança feminina e sustentabilidade são os principais campos de batalha da nova ordem global

O Fórum Econômico Mundial em Davos evidencia que o futuro está em disputa, com inteligência artificial, liderança feminina e sustentabilidade como elementos-chave.

O Fórum Econômico Mundial 2026, realizado em Davos, ultrapassou a mera previsão de tendências para se tornar palco de uma disputa estratégica pelo futuro da economia global. A chamada “nova ordem global” se expressa na competição aberta entre Estados Unidos, China e Europa por três recursos essenciais do século XXI: inteligência artificial, energia e acesso a mercados. Essa luta não é abstrata, pois define quais nações e setores liderarão a inovação, capturarão valor e evitarão dependência externa.

Disputa por inteligência artificial, energia e mercados

A inteligência artificial (IA) já provocou transformações profundas nas ocupações, cadeias produtivas e modelos de negócio. Em Davos, a discussão avançou para as regras que devem guiar essa adoção, com um consenso pragmático sobre a potencial geração líquida de empregos, desde que a implementação seja intencional e guiada por princípios claros. A tecnologia, por si só, não resolve desigualdades; sem decisões adequadas, tende a ampliá-las, sobretudo afetando mulheres, que ocupam muitas das funções mais impactadas pela automação.

Liderança feminina como vantagem competitiva

O Fórum também destacou a importância da liderança feminina, não apenas como uma causa identitária, mas como um diferencial estratégico. A transferência estimada de US$ 83 trilhões entre gerações e o fato de que até 2030 as mulheres controlarão quase 40% da riqueza global investível são dados que revelam transformação estrutural. A presença crescente de mulheres na alocação de capital pode impulsionar investimentos em empresas lideradas por mulheres e em inovação tecnológica, incluindo IA, desde que as desigualdades atuais no mercado de trabalho e acesso a capital sejam enfrentadas.

Sustentabilidade e desempenho econômico: uma narrativa integrada

Outro ponto central do encontro foi a reafirmação de que sustentabilidade e desempenho econômico não são opostos. O desafio consiste em atualizar a narrativa para conectar a agenda climática ao progresso humano, inovação e bem-estar, construindo consensos em um mundo polarizado. A descarbonização global aparece como imperativo estratégico.

O futuro: equidade, inovação e crescimento interligados

Davos deixa claro que o futuro do trabalho, da economia e da liderança não será definido apenas pela tecnologia, mas por quem compreende que equidade, inovação e crescimento são elementos que se reforçam mutuamente. Aqueles que não tomarem decisões estratégicas neste momento poderão ver seus destinos moldados por escolhas feitas por outros atores no cenário global.