Segundo extravasamento em 24 horas preocupa autoridades e empresas na região de Minas Gerais

Novo vazamento de água em mina da Vale em Congonhas (MG) é o segundo em menos de 24h e provoca impactos ambientais significativos, com acompanhamento de autoridades.
O registro de um novo vazamento de água na mina Viga da Vale, situada na estrada Esmeril em Congonhas (MG), gerou preocupação ambiental e mobilizou autoridades locais e estaduais. Este incidente é o segundo ocorrido em menos de 24 horas na cidade, depois do rompimento de uma barreira de contenção na mina de Fábrica.
Vazamentos consecutivos em minas da Vale preocupam
O extravasamento na mina Viga, conforme informado pela Defesa Civil, resultou no lançamento de água turva com sedimentos para o rio Maranhão. Apesar do impacto ambiental, não houve bloqueio de vias ou comunidades diretamente afetadas pela água contaminada.
Na véspera, a ruptura de uma barreira na mina de Fábrica provocou o vazamento de aproximadamente 263 mil metros cúbicos de água contaminada com minério e rejeitos, que atingiram o rio Goiabeiras, afluente do rio Maranhão. Esse episódio causou danos materiais à mineradora CSN em sua unidade Pires, situada em Ouro Preto, incluindo alagamento de almoxarifado, oficinas mecânicas e acessos internos.
Impactos ambientais e monitoramento rigoroso
O secretário municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, João Lobo, alertou para os efeitos graves da turbidez da água, como perda significativa da biodiversidade, redução da qualidade da água por baixa oxigenação e luminosidade, assoreamento dos rios, além do risco aumentado de enchentes. Ele destacou também a possibilidade de toxicidade do material carreado, afetando as matas ciliares e alterando o curso dos rios locais.
Em razão dos incidentes, foi constituída uma sala de crise com participação das defesas civis de Congonhas e Ouro Preto, Corpo de Bombeiros, Secretaria de Meio Ambiente de Congonhas, Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (CEDEC) e Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG). O objetivo é acompanhar as consequências dos vazamentos e coordenar ações de contenção e mitigação.
Ações e posicionamento da Vale
A Vale divulgou comunicado destacando que os extravasamentos foram contidos, que não houve feridos, nem impactos nas comunidades próximas. A empresa reforçou ainda que tais eventos não têm relação com as barragens da companhia na região, que permanecem estáveis e monitoradas continuamente.
A companhia negou o carreamento de rejeitos, explicando que o vazamento envolveu apenas água com sedimentos. Também afirmou que realiza inspeções e manutenções regulares, principalmente no período chuvoso, para prevenir incidentes. As causas dos extravasamentos estão sendo investigadas para atualização dos planos de gestão de riscos da empresa.
Contexto histórico e preocupações regionais
As águas afetadas pelos vazamentos seguem para o rio Maranhão, afluente do Paraopeba, que ficou conhecido pelo desastre de Brumadinho em 2019, quando uma barragem da Vale se rompeu, causando uma tragédia ambiental e humana.
O município de Congonhas aplicou à Vale um auto de infração pelo rompimento na mina de Fábrica, indicando que a estrutura afetada poderia provocar problemas graves a nível ambiental e social, inclusive risco de vidas. Destacou-se a falta de monitoramento adequado da área, fator que contribuiu para o incidente.
A mobilização das autoridades e a fiscalização rigorosa refletem a preocupação com o controle dos danos ambientais e a prevenção de novos vazamentos, em uma região já sensibilizada por episódios anteriores envolvendo mineração.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
Fonte: Defesa Civil de Congonhas





