Lula reforça apelo por reforma no Conselho de Segurança da ONU

Após proposta de Conselho de Paz de Trump, presidente brasileiro intensifica demanda por mudanças na ONU

Lula reforça apelo por reforma no Conselho de Segurança da ONU
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante discurso na ONU. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Lula intensifica apelo por reforma no Conselho de Segurança da ONU após proposta de Conselho de Paz de Donald Trump, reforçando necessidade de ampliar representatividade.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou seu apelo por uma reforma no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) em meio à proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criar um Conselho de Paz com poderes para atuar em conflitos internacionais.

O contexto da proposta do Conselho de Paz

A iniciativa do governo americano, apresentada inicialmente para coordenar uma transição pacífica na Faixa de Gaza, propõe um organismo com a missão de “promover a estabilidade, restaurar a governança confiável e legal e garantir uma paz duradoura em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos”. Apesar do foco inicial, a proposta não faz menção direta ao conflito no Oriente Médio e prevê participação de dezenas de líderes mundiais, mas exclui a autoridade palestina.

As sugestões de Lula a Trump

Em conversa realizada no dia 26 de janeiro de 2026, Lula sugeriu que o Conselho de Paz tenha sua atuação restrita à questão da Faixa de Gaza e que inclua um representante da Palestina entre seus membros. Além disso, reforçou a necessidade de mudanças estruturais no Conselho de Segurança da ONU, destacando a importância de ampliar o número de membros permanentes para incluir países de diferentes regiões, como América do Sul e África, buscando uma representação mais ampla e atualizada das realidades globais.

Estrutura atual e desafios para a reforma

O Conselho de Segurança da ONU é composto por cinco membros permanentes — Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China — todos com poder de veto, além de dez membros não permanentes eleitos para mandatos de dois anos. A concentração de poder desses membros permanentes é vista como o principal obstáculo para reformas profundas, já que qualquer alteração na Carta da ONU depende de sua aprovação. Especialistas, como Vito Villar da BMJ Consultoria, apontam que novas estruturas ou órgãos podem sinalizar insatisfação, mas dificilmente resultam em mudanças significativas diante dos interesses dos atuais membros.

Histórico do apelo de Lula pela reforma da ONU

Desde o início do seu terceiro mandato em 2023, Lula tem usado suas participações na Assembleia Geral da ONU para defender a reforma do Conselho de Segurança. Ele critica a perda de credibilidade do órgão devido à atuação dos membros permanentes em guerras não autorizadas e enfatiza a necessidade de revisar a composição, os métodos de trabalho e o direito de veto para tornar o Conselho mais eficaz e representativo.

Em 2025, Lula alertou que a autoridade da ONU estava “em xeque” e que o multilateralismo enfrenta uma nova encruzilhada. Naquela ocasião, ele encontrou-se presencialmente com Donald Trump, que discursou logo após o brasileiro.

Diálogos internacionais sobre o tema

Nas últimas semanas, Lula intensificou conversas telefônicas com líderes mundiais para reforçar a pauta da reforma da ONU. Em diálogo com Vladimir Putin, destacou o papel dos países do Brics no fortalecimento das instituições globais, incluindo a ONU e seu Conselho de Segurança. Com o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, discutiu a importância de fortalecer a ONU e o diálogo para resolver crises como a da Venezuela.

Também conversou com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, com quem concordou na necessidade de uma reforma abrangente da ONU. Já com o presidente da China, Xi Jinping, reafirmou o compromisso de fortalecer a organização como caminho para a paz e estabilidade mundial.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Ricardo Stuckert/PR