Diretor do BC detalha ausência de controles eficazes no BRB e confirma indícios de créditos falsos no caso Master
Diretor do Banco Central afirma que BRB falhou ao não identificar fraudes em créditos falsos vinculados ao Banco Master.
O contexto do depoimento sobre a fraude Master e o papel do BRB
No dia 30 de dezembro de 2025, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, prestou depoimento à Polícia Federal detalhando a investigação sobre o caso Master e a relação do Banco de Brasília (BRB) com créditos fraudulentos. Aquino foi enfático ao afirmar que a fraude master poderia ter sido detectada pela governança do BRB, que não identificou os sinais de irregularidade. Ele destacou que a supervisão do Banco Central exigiu respostas formais sobre a origem desses créditos, mas o banco público falhou em adotar controles adequados.
A Tirreno e o esquema de créditos inexistentes
Durante o depoimento, Aquino explicou que a empresa Tirreno surgiu como peça central do esquema investigado, associada às carteiras adquiridas pelo BRB que posteriormente foram trocadas por outros ativos. O Banco Central não identificou nenhuma movimentação financeira registrada nos sistemas oficiais da Tirreno, como TED, Pix ou câmbio, o que reforça a suspeita de que os créditos são insubsistentes. A única relação da Tirreno no sistema financeiro era com o Banco Master, e ainda assim não havia registros compatíveis com os valores declarados.
Cédulas de Crédito Bancário falsas e o impacto contábil
Um dos pontos mais graves do depoimento foi a descrição das Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) emitidas pelo Banco Master com base em créditos falsos, caracterizados por Aquino como uma verdadeira falsificação. Ele comparou o caso a outras fraudes bancárias históricas, ressaltando que técnicas de auditoria poderiam ter sido usadas para identificar inconsistências. Além disso, Aquino expôs que, do ponto de vista contábil, o Master não reconheceu corretamente os ganhos derivados desses créditos, desrespeitando as normas do COSIF e gerando distorções financeiras relevantes.
Crise de liquidez e o papel do Banco Central na supervisão
O diretor afirmou que o Banco Master enfrentava uma grave crise de liquidez, com dificuldades até para cumprir o depósito compulsório exigido por lei. O BC já havia iniciado processos sancionadores e questionava como uma instituição com tão poucos recursos disponíveis poderia gerar créditos na magnitude investigada. Antes da liquidação, o banco teria apenas cerca de R$ 4 milhões em caixa, tornando a operação ainda mais suspeita e preocupante para a estabilidade financeira.
A troca de ativos pelo BRB e as medidas prudenciais adotadas
Após identificar a fraude, o BRB tentou compensar os créditos falsos com outros ativos legítimos, como crédito consignado, CRI, fundos imobiliários, títulos no exterior e ações. Contudo, Aquino afirmou que a troca não foi integral, e ainda permaneceriam cerca de R$ 2,3 bilhões vinculados à Tirreno no balanço do BRB. O diretor também ressaltou que seria necessária a constituição de provisões financeiras elevadas, possivelmente superiores a R$ 5 bilhões. Sobre as medidas prudenciais aplicadas ao BRB, Aquino descreveu que foram drásticas e ocorreram em momento distinto da tentativa de compra do Banco Master, descartando qualquer relação entre os fatos.
Negativa à pressão política e separação entre supervisão e gestão
Ao ser questionado sobre eventuais pressões políticas, Ailton Aquino negou ter recebido qualquer interferência de autoridades da República na condução da fiscalização. Ele reforçou que a supervisão do Banco Central deve ser entendida como função técnica e administrativa independente, enquanto as decisões de montagem da carteira de ativos partem da gestão do banco. Essa distinção é fundamental para garantir a solidez e a transparência do sistema financeiro nacional.
Este depoimento detalhado evidencia as falhas internas do BRB na detecção de fraudes complexas e destaca a importância do papel do Banco Central em identificar e mitigar riscos que possam comprometer a estabilidade financeira. O caso Master segue sob investigação enquanto as autoridades aprofundam os impactos e responsabilidades.





