Pediatra Daniel Becker alerta para epidemia de agressividade juvenil impulsionada por redes sociais e masculinidade tóxica

Especialista aponta epidemia de violência entre adolescentes, agravada por redes sociais e cultura de masculinidade tóxica no país.
Contexto atual da violência entre adolescentes no Brasil
O Brasil enfrenta uma crescente epidemia de violência entre adolescentes, impulsionada por fatores sociais e digitais, conforme alerta do pediatra Daniel Becker. Desde 2018, uma onda de ódio tem se disseminado nas redes sociais, afetando diretamente o comportamento agressivo de jovens. Becker contextualiza casos recentes emblemáticos em Brasília, inserindo-os em um panorama mais amplo de aumento da agressividade juvenil no país.
O impacto das redes sociais na disseminação de ódio e violência juvenil
As redes sociais desempenham papel fundamental nesse quadro, com algoritmos que expõem meninos adolescentes a conteúdos violentos, misóginos e de intolerância. Plataformas como TikTok, Discord e Telegram são apontadas como espaços onde o ódio e práticas nocivas, como automutilação e tortura de animais, se propagam facilmente. O pediatra alerta para os riscos à saúde mental e desenvolvimento desses jovens, enfatizando que a “vida fora das telas está chata para meninos”, tornando o ambiente virtual um lugar perigoso para adolescentes desassistidos.
Masculinidade tóxica: um fenômeno crescente entre jovens brasileiros
Um dos fatores preocupantes destacados por Becker é o avanço da masculinidade tóxica entre adolescentes. Ele observa que comportamentos machistas são hoje mais comuns entre os jovens do que em homens mais velhos, repercutindo em aumento de feminicídios, violência contra crianças e bullying escolar. Esse reforço de estereótipos agressivos contribui para a perpetuação de um ciclo de violência e intolerância entre os jovens.
Jogos digitais e conteúdos violentos como reflexo da realidade social
Daniel Becker também chama atenção para jogos populares entre crianças que simulam ataques a escolas, tráfico de drogas e ambientes violentos com ostentação de armas. Esses conteúdos reforçam narrativas nocivas e podem influenciar negativamente o comportamento dos jovens, ampliando o risco de envolvimento em situações agressivas.
A responsabilidade das famílias e a necessidade de educação para empatia
O pediatra critica a permissividade de muitas famílias que não assumem o papel fundamental de educar para a civilidade, empatia e respeito ao próximo. Ele recomenda que crianças permaneçam afastadas das redes sociais até pelo menos os 16 anos, considerando a exposição precoce um “crime contra o próprio filho”. Becker destaca que a falta de educação emocional e ética contribui para o aumento da violência juvenil.
Legislação e perspectivas para controle de conteúdos nocivos
Como medida positiva, Becker destaca a entrada em vigor do ECA Digital em 17 de março, que responsabilizará as redes sociais por conteúdos prejudiciais. A legislação deverá pressionar essas plataformas a reduzir a disseminação de material nocivo, com possibilidade de punições severas. Ainda assim, o especialista alerta que as mudanças serão graduais e exigirão vigilância constante para garantir efetividade.
Considerações finais
O desafio de combater a violência entre adolescentes no Brasil envolve a conjugação de esforços entre famílias, educadores, autoridades e plataformas digitais. A integração de políticas públicas, educação emocional e o controle de conteúdos virtuais são passos essenciais para frear essa epidemia e promover um ambiente mais seguro e saudável para os jovens.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br





