Carnaval no Distrito Federal impulsiona autocuidado em coletivos de cuidadoras

Folia pré-carnavalesca em Brasília serve como espaço de apoio e resiliência para mulheres cuidadoras de familiares com Alzheimer e outras demências

Carnaval no Distrito Federal impulsiona autocuidado em coletivos de cuidadoras
Participantes do coletivo Filhas da Mãe celebram carnaval em Brasília. Foto: Brasília, DF 08

Carnaval no Distrito Federal se torna ferramenta terapêutica para coletivos que apoiam cuidadoras de familiares com demência.

Carnaval no Distrito Federal como espaço de promoção do autocuidado

O Carnaval no Distrito Federal tem sido mais do que uma festa popular; ele representa um caminho importante para o autocuidado de coletivos que apoiam cuidadoras de familiares com doenças demenciais. No domingo, 8 de fevereiro, em Brasília, o coletivo Filhas da Mãe utilizou a folia pré-carnavalesca como uma oportunidade para fortalecer a resiliência e o bem-estar de mulheres que dedicam suas vidas aos cuidados de entes queridos com Alzheimer e outras enfermidades cognitivas.

Carmen Araújo, professora carioca de 59 anos e integrante do coletivo, exemplifica essa experiência ao reconhecer que, mesmo em meio às responsabilidades intensas do cuidado, é fundamental reservar momentos para si. Ela cuida do pai, diagnosticado com Alzheimer, há 15 anos, e destaca que a festa do carnaval traz alegria, memória e alívio para essa rotina frequentemente exaustiva.

O papel do coletivo Filhas da Mãe no suporte às cuidadoras

Fundado em 2019, o Filhas da Mãe surgiu a partir da vivência pessoal da psicanalista Cosette Castro, que cuidou da mãe durante uma década. O coletivo hoje atende aproximadamente 550 pessoas, oferecendo uma rede de apoio que inclui serviços voluntários, ações virtuais e eventos presenciais. A iniciativa destaca a importância de olhar para as cuidadoras enquanto indivíduos afetados emocional e fisicamente, frequentemente negligenciados nos cuidados de saúde tradicionais.

Os impactos físicos e psicológicos enfrentados por essas mulheres vão desde lesões musculares a transtornos mentais, com altos índices de insônia e ansiedade. Para Cosette, o carnaval funciona como um instrumento terapêutico que resgata o direito ao riso e à infância interior, permitindo que as cuidadoras encontrem espaços de leveza e expressão cultural.

Estratégias dos coletivos para ampliar a saúde mental e social durante a folia

A promoção da saúde no carnaval vai além da simples celebração. O Filhas da Mãe e o grupo “Me Chame Pelo Nome” aproveitam a efervescência cultural para disseminar informações sobre o diagnóstico precoce das demências e a necessidade de políticas públicas que atendam aos cuidadores. Enquanto o primeiro coletivo foca no cuidado emocional e no combate à sobrecarga, o segundo atua na resistência contra o capacitismo por meio da arte e da presença ativa de pessoas com deficiência nas fanfarras.

Essas ações reforçam a importância de incluir grupos vulneráveis na agenda cultural, promovendo a inclusão social e o reconhecimento dos desafios enfrentados por esses segmentos.

Impactos do carnaval no fortalecimento de comunidades de apoio em Brasília

A folia do carnaval no Distrito Federal funciona como um catalisador para a construção de comunidades que compartilham experiências, conhecimento e suporte mútuo. Para mulheres cuidadoras, como Carmen e Márcia Uchôa, o evento representa um respiro na rotina de cuidados 24 horas e uma oportunidade de se conectar com outras pessoas que enfrentam desafios semelhantes.

Além disso, a música, elemento central do carnaval, tem papel terapêutico comprovado, especialmente para pessoas com Alzheimer, pois as músicas e letras são algumas das últimas memórias preservadas. A articulação de atividades culturais com o cuidado emocional potencializa a qualidade de vida dessas famílias.

Desafios e perspectivas para o cuidado integrado em eventos culturais

Embora o carnaval no Distrito Federal esteja se consolidando como espaço de acolhimento e promoção de saúde para cuidadoras, persistem desafios relacionados à visibilidade e financiamento dessas iniciativas. O reconhecimento da sobrecarga física e mental das cuidadoras ainda é incipiente nas políticas públicas, e a necessidade de espaços seguros e inclusivos na cultura é um ponto-chave para a ampliação dessas ações.

O fortalecimento desses coletivos durante o carnaval demonstra que a cultura pode ser uma aliada estratégica na saúde pública, promovendo a conscientização, o autocuidado e a inclusão social. As experiências em Brasília podem servir de modelo para outras regiões, integrando festa, arte e bem-estar em um único propósito.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Fonte: Brasília, DF 08