Curitiba fortalece forró e enfrenta críticas de movimento separatista

Projeto que declara Curitiba capital do Sul do Forró provoca debate sobre identidade cultural e regionalismo

Curitiba fortalece forró e enfrenta críticas de movimento separatista
Vanda de Assis, vereadora que propôs o título à Curitiba. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Projeto que torna Curitiba capital do Sul do Forró gera polêmica e críticas de grupo separatista, refletindo debates sobre cultura e identidade regional.

A polêmica em torno de Curitiba capital do Sul do Forró

A recente proposta que busca declarar Curitiba a capital do Sul do Forró tem provocado intensos debates desde sua apresentação em 3 de outubro de 2025. A vereadora Vanda de Assis (PT), cearense de nascimento e primeira parlamentar nordestina eleita na capital paranaense, defende o projeto como reconhecimento da cena cultural consolidada do forró na cidade, que reúne artistas, produtores e frequentadores em diversos espaços culturais. Contudo, o movimento separatista “O Sul é Meu País” manifestou-se contrariamente, alegando que a iniciativa representa uma imposição cultural e desrespeita a identidade local.

O Sul é Meu País e seu posicionamento sobre identidade cultural

Fundado em 1992, o movimento separatista “O Sul é Meu País” luta pela independência dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com base em uma identidade cultural distinta e descontentamento político e econômico com o governo federal. Ao criticar o projeto do forró em Curitiba, o grupo argumenta que a cidade não possui raízes históricas nem culturais relacionadas a esse ritmo nordestino. Apesar disso, o separatismo é considerado inconstitucional pela Constituição Federal de 1988, que garante a união indissolúvel dos estados brasileiros. O posicionamento do movimento reflete um debate mais amplo sobre pertencimento regional e a diversidade cultural contemporânea da capital paranaense.

Diversidade cultural e dados demográficos de Curitiba

Dados recentes do IBGE evidenciam a crescente diversidade populacional da capital, com significativa presença de migrantes de outros estados e países. Embora não seja o principal destino de nordestinos, Curitiba abriga comunidades que contribuem para sua identidade multicultural. Entre os migrantes com até dez anos de residência na cidade, destaca-se a presença de pessoas oriundas de São Paulo, Santa Catarina, outros países e, em menor proporção, do Nordeste. Essa pluralidade reforça os argumentos da vereadora Vanda de Assis, que associa o reconhecimento do forró à valorização das histórias e contribuições dessas comunidades.

Importância cultural do forró e reconhecimento nacional

O forró, gênero musical originado no Nordeste brasileiro, foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 2021 pelo Iphan. Em 2023, também foi oficialmente reconhecido como manifestação da cultura nacional por lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa valorização institucional reforça o papel do forró como elemento cultural legítimo e autêntico, reforçando a justificativa do projeto que visa reconhecer Curitiba como capital regional desse ritmo no Sul do Brasil.

Processos legislativos e perspectivas para a proposta em Curitiba

O projeto de lei apresentado pela vereadora passou por avaliações técnicas e aguarda novo parecer da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal. A proposta ainda retornou para ajustes no gabinete da parlamentar antes de seguir para análise final e votação em plenário. Caso aprovado, o reconhecimento oficial do forró como patrimônio cultural na cidade poderá fortalecer a cena artística local, fomentando a diversidade e inclusão cultural. Entretanto, o debate expõe como processos legislativos também refletem tensões sociais envolvendo identidade regional, preconceitos e a valorização das múltiplas expressões culturais presentes em Curitiba.

Fonte: ric.com.br

Fonte: Reprodução/Redes Sociais