Gestores da Amprev são investigados pela Polícia Federal por aplicação sem documentação técnica e possível gestão fraudulenta
Polícia Federal investiga gestores da Amprev por autorizar aporte de R$ 400 milhões ao Banco Master sem análise técnica adequada.
Contexto da investigação sobre o aporte de R$ 400 milhões ao Banco Master
A Polícia Federal iniciou a Operação Zona Cinzenta em 6 de fevereiro de 2026 para investigar a decisão da Amprev de investir R$ 400 milhões em letras financeiras do Banco Master sem documentação técnica prévia. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central, o que ampliou as suspeitas de gestão temerária e fraudulenta. Jocildo Silva Lemos, então diretor-presidente da Amprev e aliado político do senador Davi Alcolumbre, foi identificado como figura central no processo de aprovação desses aportes.
Papel de gestores e fragilidades na governança da Amprev
Os gestores Jocildo Silva Lemos, José Milton Afonso Gonçalves e Jackson Rubens de Oliveira aprovaram os investimentos em julho de 2024 em menos de 20 dias, ignorando alertas técnicos e falhas nos procedimentos de governança corporativa. A ausência de diligências robustas e a concentração de risco evidenciam uma violação consciente das normas internas e limites prudenciais. A atuação foi classificada como extremamente atípica pela Polícia Federal, especialmente pela aprovação condicionada a uma visita posterior ao banco.
Relação política e influência na Amprev
O envolvimento de Jocildo Silva Lemos, que foi tesoureiro da campanha do senador Davi Alcolumbre e indicado para o cargo na Amprev por ele, revela uma conexão política direta com o episódio. Essa ligação levanta questões sobre o papel de políticos na escolha e supervisão dos gestores de fundos públicos, destacando a importância de maior transparência e controle nas indicações para órgãos estratégicos.
Impactos financeiros e riscos para o fundo de previdência estadual
Os investimentos no Banco Master representavam 4,7% da carteira total da Amprev, vinculada ao governo do Amapá. A decisão de aplicar uma quantia significativa sem a documentação técnica adequada expôs o fundo a riscos elevados, colocando em risco os recursos previdenciários estaduais. A potencial perda financeira e seu reflexo sobre os servidores públicos aposentados e ativos geram preocupação quanto à gestão de recursos públicos.
Resposta da Amprev e desdobramentos legais
Em nota publicada em 9 de fevereiro de 2026, a Amprev afirmou sentir-se lesada pelos malfeitos do Banco Master e manifestou sua expectativa de ressarcimento e punição dos responsáveis. O caso segue sob investigação, e os gestores envolvidos são alvo de medidas judiciais como buscas e apreensões. A investigação aprofundará os aspectos legais de gestão fraudulenta e temerária, podendo resultar em responsabilizações administrativas e criminais.
Conclusão: desafios da governança em fundos públicos
Este episódio evidencia os desafios enfrentados na governança e controle dos fundos de previdência estaduais diante de pressões políticas e riscos financeiros. A aprovação rápida e sem diligência dos aportes no Banco Master aponta para necessidades urgentes de reforçar mecanismos internos, garantir transparência e prevenir práticas que possam comprometer o patrimônio público e a confiança da sociedade.





