Relatos detalham quase três anos de assédio no gabinete do ministro, gerando afastamento cautelar
Denúncia de assédio contra ministro Marco Buzzi expõe quase três anos de relatos no STJ e resulta em seu afastamento cautelar.
Relato detalhado da servidora evidencia assédio por quase três anos
A denúncia de assédio contra ministro Marco Buzzi no Superior Tribunal de Justiça (STJ) expôs uma situação grave que perdurou de 2023 até o fim de 2025. Segundo o depoimento da servidora terceirizada que trabalhava como secretária no gabinete do magistrado, episódios de assédio ocorreram em vários locais, incluindo a sala do ministro, corredores, depósito e biblioteca. Os relatos, confirmados por outros dois servidores, descreveram um padrão crescente de conduta inadequada, começando com elogios para evoluir a toques e apertões não consentidos.
Impacto institucional e decisão pelo afastamento cautelar do ministro
A repercussão interna no STJ foi imediata e profunda, com ministros manifestando indignação diante dos fatos apresentados. A sindicância interna, presidida pelo ministro Francisco Falcão, conduziu a investigação que resultou na decisão pelo afastamento cautelar de Buzzi em 10 de fevereiro de 2026. A comissão designada para a apuração inclui ainda os ministros Raul Araújo e Antonio Carlos Ferreira, reforçando a seriedade do processo. O afastamento visa preservar a integridade do tribunal enquanto as apurações prosseguem.
Processo administrativo e possíveis consequências para o magistrado
O procedimento administrativo instaurado no STJ poderá resultar em aposentadoria compulsória para Marco Buzzi, caso as denúncias sejam confirmadas. Essa medida implicaria na perda do cargo de ministro, embora o pagamento dos proventos seja mantido. Alternativamente, punições menos severas, como advertência ou censura, podem ser aplicadas conforme a gravidade do julgamento. Paralelamente, há investigação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), atualmente suspensa até a conclusão da sindicância interna, para evitar sobreposição de procedimentos.
Contexto das denúncias e ambiente no STJ após as revelações
A segunda acusação formalizada pela servidora ocorreu em um momento de grande tensão no tribunal, após a primeira denúncia apresentada por uma jovem que relatou assédio durante um encontro pessoal com o ministro. A combinação das denúncias abalou o ambiente institucional, estimulando debates sobre a necessidade de medidas rigorosas para assegurar o respeito e a segurança no ambiente judicial. Ministros cogitaram até a aposentadoria compulsória, medida que será deliberada no próximo plenário.
Próximos passos da investigação e expectativa pela votação do plenário
O STJ marcou para 10 de março a sessão plenária em que será votado o futuro do ministro Marco Buzzi. Para que a aposentadoria compulsória seja decretada, é necessário pelo menos 22 votos favoráveis, numa votação secreta. A expectativa é pela conclusão da sindicância interna com a apresentação das contraprovas e demais evidências coletadas, possibilitando uma análise criteriosa dos fatos. Enquanto isso, o ministro mantém sua posição de inocência e destaca estar “muito impactado” pelas acusações.





