Oferta ampliada da Paramount busca superar proposta da Netflix e garantir controle sobre ativos da Warner Bros Discovery

A Paramount aumentou sua oferta para adquirir a Warner Bros, desafiando a proposta da Netflix e intensificando a disputa pelo controle dos ativos da empresa.
Panorama da disputa entre Paramount e Netflix pela Warner Bros Discovery
A Paramount eleva oferta pela Warner com o objetivo de impedir o acordo da proprietária da HBO Max com a Netflix, intensificando uma das maiores disputas do setor audiovisual em 23 de janeiro. Essa movimentação acontece em meio à crescente pressão para dominar o mercado global de streaming, especialmente em torno dos ativos valiosos da Warner Bros Discovery, que detém franquias como “Harry Potter” e “Game of Thrones”.
Liderada por David Ellison, a Paramount Skydance busca apresentar uma proposta mais atraente, superando a oferta inicial de US$ 108,4 bilhões (US$ 30 por ação) feita pela própria empresa. A oferta revisada visa garantir maior segurança financeira para a Warner Bros, que até o momento demonstra cautela na aceitação do negócio. Paralelamente, a Netflix ofereceu US$ 27,75 por ação em dinheiro, totalizando US$ 82,7 bilhões, e detém o direito de igualar qualquer nova proposta da Paramount.
Estratégias financeiras e apoio de investidores na disputa
A escalada na oferta da Paramount conta com o suporte do bilionário Larry Ellison, fundador da Oracle, que sustenta a viabilidade financeira da proposta. Além disso, a CBS, controlada pela Paramount, foi instada a apresentar sua “melhor e última oferta” após a Warner Bros rejeitar uma proposta aprimorada que incluía o pagamento da multa rescisória de US$ 2,8 bilhões à Netflix, além da oferta de uma taxa trimestral para compensar atrasos na conclusão do negócio.
O conselho da Warner Bros indicou que a oferta da Paramount, apresentada em 10 de fevereiro, ainda está abaixo do que consideraria uma proposta superior, estabelecendo um prazo até 23 de fevereiro para o envio de uma oferta revisada. Analistas sugerem que uma proposta na faixa de US$ 34 por ação poderia encerrar a disputa, destacando a complexidade do processo de negociação.
Impactos regulatórios e o papel dos órgãos antitruste
A Warner Bros planeja desmembrar seus ativos de TV a cabo, como CNN e HGTV, formando a Discovery Global, o que pode agregar valor significativo para os acionistas. Contudo, o segmento de TV a cabo tem sido contestado pela Paramount, que o considera pouco útil para os objetivos estratégicos do acordo.
A aprovação do negócio ainda depende da análise rigorosa das autoridades regulatórias dos Estados Unidos e da União Europeia, que investigarão se a fusão poderia reduzir a concorrência ou limitar as opções para os consumidores. A Paramount afirma possuir um caminho regulatório mais claro para aprovação do que a Netflix, enquanto a empresa de streaming enfrenta escrutínio sobre práticas concorrenciais.
Reação dos investidores e influência de acionistas ativistas
A pressão sobre a Warner Bros aumentou com a entrada da Ancora Capital, investidor ativista que adquiriu uma participação significativa e solicita maior engajamento da empresa com a Paramount. A Ancora ameaça votar contra o acordo com a Netflix e responsabilizar o conselho da Warner Bros durante a assembleia anual, caso as negociações não avancem.
Além disso, as ações da Paramount reagiram positivamente ao anúncio da oferta ampliada, refletindo o interesse do mercado no desfecho da disputa. A decisão final dos acionistas da Warner Bros está prevista para 20 de março, configurando-se como um momento decisivo para o futuro da empresa.
Consequências para o mercado de streaming e o consumidor final
A possível fusão entre Netflix e Warner Bros tornaria a Netflix a maior plataforma de streaming global, com cerca de meio bilhão de assinantes, segundo estimativas internas. O co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, defende que a operação seria benéfica para Hollywood, evitando cortes de empregos e fortalecendo a indústria audiovisual.
Por outro lado, a Paramount argumenta que a concentração de poder nas mãos da Netflix poderia prejudicar a diversidade do mercado e a competição, especialmente diante do crescimento do YouTube como distribuidor líder de conteúdo televisivo nos EUA.
A discussão envolve ainda preocupações bipartidárias de legisladores quanto aos potenciais impactos negativos para consumidores e criadores de conteúdo, ressaltando a complexidade econômica e social envolvida na operação.
Assim, a Paramount eleva oferta pela Warner em um cenário permeado por disputas financeiras, regulatórias e estratégicas, que definirão os rumos do entretenimento global nos próximos anos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br





