Relatório do Cemaden revela prejuízos bilionários e aumento de eventos extremos associados ao aquecimento global

Relatório aponta que desastres climáticos no Brasil afetaram 336.656 pessoas em 2025, com prejuízos de R$ 3,9 bilhões e aumento de eventos extremos.
Panorama dos desastres climáticos no Brasil em 2025
Os desastres climáticos no Brasil em 2025 afetaram diretamente 336.656 pessoas, conforme o relatório Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O documento destaca que o Brasil sofreu prejuízos econômicos da ordem de R$ 3,9 bilhões devido a eventos como secas, enchentes e ondas de calor. O ano de 2025 foi o terceiro mais quente já registrado globalmente, com a temperatura média atingindo 1,47 °C acima dos níveis pré-industriais, e isso refletiu severamente nos eventos climáticos nacionais.
Dados detalhados sobre os eventos hidrometeorológicos e suas consequências
Em 2025, o Brasil registrou 1.493 eventos hidrológicos, entre secas intensas, inundações, transbordamentos, enxurradas, deslizamentos de terra e cheias. Destes, 1.336 foram de pequeno porte, 146 de médio porte e 11 grandes eventos. A região Sudeste, composta pelos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, concentrou 43% do total dessas ocorrências, especialmente enchentes e deslizamentos. O relatório sublinha que a intensidade dos desastres e os danos causados foram maiores em regiões com vulnerabilidades territoriais específicas e que também revelaram desigualdades na capacidade de resposta institucional entre municípios.
Minas Gerais como foco de risco geo-hidrológico e vulnerabilidades municipais
Minas Gerais destaca-se como a unidade da federação com o maior número de cidades em risco durante períodos chuvosos. Dos 853 municípios mineiros, 306 estão suscetíveis a deslizamentos, enxurradas e inundações, colocando aproximadamente 1,5 milhão de pessoas em situação de perigo. Esse cenário foi agravado em fevereiro de 2026, quando fortes chuvas castigaram novamente a região. Os especialistas do Cemaden alertam para a necessidade de ações prioritárias de gestão de risco e prevenção nesses municípios para minimizar os impactos futuros.
Tendências e desafios futuros apontados pelo Cemaden
O relatório evidencia um crescimento de 222% no número de desastres climáticos no Brasil entre o início da década de 1990 e os primeiros três anos de 2020, reforçando a tendência de aumento desses eventos. Segundo o Cemaden, o país enfrentará mais ondas de calor frequentes e intensas, além de uma diminuição das ondas de frio, que, quando ocorrem, tendem a ser muito intensas. Essa mudança climática apresenta desafios significativos para a gestão pública e para as populações mais vulneráveis.
Importância do investimento em ciência, tecnologia e monitoramento para mitigar riscos
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, vinculado ao Cemaden, enfatiza que o fortalecimento da capacidade científica nacional e a integração entre pesquisa e gestão pública são fundamentais para antecipar riscos e reduzir vulnerabilidades frente ao cenário climático adverso e crescente. O monitoramento contínuo e o investimento em tecnologia são apontados como medidas essenciais para o enfrentamento dos desafios impostos pelo aquecimento global e seus efeitos no Brasil.
Contexto global e impacto no Brasil
O verão de 2024/2025 foi o sexto mais quente desde 1961 no Brasil, e em novembro de 2025, oito estados — Ceará, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins — enfrentaram secas em 100% de seus territórios. As altas temperaturas globais e os níveis recordes de vapor d’água na atmosfera desencadearam ondas de calor, secas, incêndios e chuvas intensas que atingiram milhares de brasileiros, confirmando a influência direta das mudanças climáticas globais nas condições meteorológicas nacionais.
O relatório completo de 44 páginas está disponível no site do Cemaden para consulta pública e detalha os dados científicos que embasam essas análises e prognósticos.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
Fonte: Agência Brasil





