Alta contratação de térmicas impacta futuro leilão de baterias no Brasil

Associação brasileira alerta para risco de esvaziamento do leilão de armazenamento diante do aumento expressivo de usinas térmicas

Alta contratação de térmicas impacta futuro leilão de baterias no Brasil
Sistema de armazenamento de energia em destaque Foto: Sistemas de armazenamento de energia  • Divulgação Absae

Alta contratação de térmicas pode comprometer leilão de baterias, aponta Absae, em análise sobre os impactos no sistema elétrico brasileiro.

Impactos da alta contratação de térmicas no leilão de baterias

A alta contratação de térmicas no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026, que ultrapassa 12 GW de novas usinas, está gerando preocupações quanto ao futuro leilão de sistemas de armazenamento de energia (BESS). Segundo Markus Vlasits, presidente da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae), esse cenário pode esvaziar o leilão de baterias, comprometendo a expansão de tecnologias mais eficientes. A contratação volumosa de fontes térmicas reduz significativamente o espaço para novas tecnologias no sistema elétrico brasileiro.

Contratação de usinas térmicas e o contexto atual do setor elétrico

Considerando as usinas térmicas já existentes movidas a carvão, óleo e gás natural, o volume total contratado ultrapassa 17,5 GW. Essa expansão ocorre em um momento de crescente inserção de fontes renováveis intermitentes no sistema, o que exige maior flexibilidade operacional. Apesar disso, a ampliação da geração térmica, especialmente com usinas pouco flexíveis, pode aumentar o desperdício da geração renovável, além de elevar a dependência de combustíveis fósseis, situação que contrasta com os objetivos de sustentabilidade e redução de custos operacionais.

Debate entre especialistas e autoridades sobre o futuro do leilão de baterias

O posicionamento da Absae, liderada por Markus Vlasits, diverge do secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Gustavo Ataíde, que afirma que a contratação das térmicas não impacta a demanda pelo leilão de reserva de capacidade para baterias. A entidade destaca a urgência na contratação de sistemas de armazenamento, uma vez que os custos operacionais das baterias são entre 40% a 50% menores do que os das térmicas. O debate evidencia a necessidade de um alinhamento estratégico para garantir a eficiência e sustentabilidade do setor elétrico.

Implicações econômicas e ambientais da contratação de térmicas

Os leilões de capacidade realizados recentemente implicam em custos elevados para os consumidores, estimados em mais de meio trilhão de reais ao longo dos contratos. A contratação de 500 MW em térmicas a óleo e biodiesel no momento em que o preço do barril de petróleo atingiu recordes históricos reforça o aumento da dependência de combustíveis fósseis. Além dos impactos financeiros, essa estratégia pode dificultar o avanço das energias renováveis e de tecnologias mais limpas e flexíveis, como os sistemas de baterias que podem captar e reutilizar energia gerada de forma intermitente.

Expectativas e necessidade de diretrizes para o leilão de armazenamento

O setor energético brasileiro aguarda a publicação da portaria de diretrizes pelo Ministério de Minas e Energia para o leilão de capacidade por meio de baterias, evento considerado estratégico para ampliar a flexibilidade do sistema elétrico e reduzir custos a longo prazo. A definição clara dessas regras é vista como essencial para incentivar o desenvolvimento de soluções tecnológicas que potencializem o aproveitamento da geração renovável e diminuam os prejuízos associados à dependência de termelétricas.

A alta contratação de térmicas, portanto, representa um desafio significativo para o futuro do sistema elétrico brasileiro, especialmente para a integração eficiente do armazenamento por baterias, que se apresenta como uma alternativa mais econômica e sustentável.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Sistemas de armazenamento de energia  • Divulgação Absae