Ambev reforça política para incentivar produção de cevada no Sul do Brasil

Nova estratégia assegura preços mínimos e amplia suporte técnico para agricultores gaúchos e paranaenses

Ambev reforça política para incentivar produção de cevada no Sul do Brasil
Produção de cevada no Rio Grande do Sul com a variedade ABI Valente. Divulgação Ambev — Foto: Produção de cevada no Rio Grande do Sul, com variedade ABI Valente  • Divulgação Ambev — Foto: Produção de cevada no Rio Grande do Sul, com variedade ABI Valente • Divulgação Ambev

Ambev implementa nova política comercial para fortalecer a produção de cevada no Sul, assegurando preço mínimo e suporte técnico aos produtores.

Ambev assegura preço mínimo para produção de cevada no Sul do Brasil

A Ambev reforçou sua política de incentivo à produção de cevada no Sul do Brasil, especialmente nas regiões do Rio Grande do Sul e Paraná, que concentram as principais áreas de cultivo do cereal. A produção de cevada no Sul é vital para a indústria cervejeira nacional, já que o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de cerveja. Para garantir a sustentabilidade do cultivo e diminuir a dependência de importações, a empresa estabeleceu um preço mínimo de R$ 75 por saca para metade da produção, enquanto a outra metade do pagamento acompanha a cotação do trigo, seu principal concorrente nas áreas produtivas. Segundo Edivan Panisson, diretor de Suprimentos e Sustentabilidade da Ambev, essa estratégia visa equilibrar o mercado e garantir aos produtores uma renda mínima segura.

Estrutura de apoio técnico e garantia de compra para agricultores locais

Além da garantia de preços, a Ambev mantém um programa estruturado de apoio técnico direcionado aos produtores de cevada. Esse suporte envolve manejo adequado da lavoura, seleção das variedades mais adaptadas e acompanhamento durante o ciclo de produção, visando assegurar a qualidade do cereal para a malteação. A empresa compra 100% da produção de cevada cervejeira da região, inclusive adquirindo a cevada que não atinja os padrões para produção cervejeira para uso como forragem. O pagamento ocorre após a colheita, que ocorre entre outubro e novembro, enquanto o plantio é realizado entre maio e junho. Essa política fortalece a relação direta com os agricultores e estimula a continuidade do cultivo dessa cultura estratégica.

Expansão da cevada com foco em RS e Paraná e desafios climáticos

O Paraná projetou para 2026 um plantio de cevada em cerca de 111,3 mil hectares, crescendo 7,3% em relação ao ano anterior, impulsionado pela ampliação da indústria malteira, como as maltarias da cooperativa Agrária. O Rio Grande do Sul também prevê aumento, com 34,5 mil hectares plantados, 9,9% acima do ano anterior. Contudo, o clima representa um grande desafio para a produção. Aloisio Vilarinho, pesquisador da Embrapa Trigo, destaca que o excesso de chuvas na fase reprodutiva prejudica a qualidade dos grãos, além das variações climáticas características da primavera, que afetam a colheita pelo risco de geadas, ondas de calor e chuvas sequenciais.

Desenvolvimento de cultivares resistentes aumenta produtividade e reduz custos

Para contornar as adversidades climáticas, a pesquisa e a inovação tecnológica são fundamentais. A Ambev investiu no desenvolvimento da cultivar ABI Valente, homologada recentemente após 12 anos de testes e cruzamentos. Essa variedade é 16% mais produtiva que as opções comerciais atualmente usadas, possui grãos 15% maiores e homogêneos, além de maior resistência a doenças fúngicas, o que contribui para redução do uso de defensivos agrícolas. A ABI Valente se soma a outras cultivares como ABI Rubi e BRSCaue, esta última desenvolvida pela Embrapa. A companhia não cobra royalties pelo uso dessa cultivar, incentivando a disseminação entre seus parceiros e potencialmente outras indústrias futuramente.

Limites para expansão da cevada no Brasil e perspectivas futuras

Embora exista potencial para cultivo de cevada em outras regiões do Brasil, como o Centro-Oeste, a necessidade de irrigação intensa e custos logísticos elevados dificultam a expansão. A Embrapa identificou áreas favoráveis com mais de 800 metros de altitude para cultivo irrigado, porém o custo competitivo e a concorrência com culturas de maior retorno econômico, como hortaliças, limitam o crescimento. Atualmente, metade da cevada consumida pela indústria brasileira é importada, fato que a Ambev busca reduzir com políticas que incentivam a produção local e melhoram a logística, concentrando esforços em áreas próximas às suas maltarias.

A nova política da Ambev para a produção de cevada no Sul do Brasil destaca-se como uma iniciativa estratégica para fortalecer a cadeia produtiva de um cereal essencial à indústria cervejeira nacional. Ao assegurar preços mínimos, oferecer suporte técnico e investir em inovação genética, a companhia promove a sustentabilidade econômica dos agricultores e a segurança do fornecimento, contribuindo para o desenvolvimento regional e para a redução da dependência externa.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Produção de cevada no Rio Grande do Sul, com variedade ABI Valente • Divulgação Ambev