Artemis II revela desafios da alimentação e exercícios no espaço

Rotina alimentar e física dos astronautas é moldada para enfrentar ausência de gravidade e preservar a saúde em missões espaciais longas

Artemis II revela desafios da alimentação e exercícios no espaço
Astronauta realiza rotina de exercícios a bordo da Estação Espacial Internacional. Foto: X/ Loral O'Hara

Alimentação e atividade física no espaço são adaptadas para manter saúde dos astronautas em ambiente sem gravidade.

Como a alimentação e atividade física no espaço garantem a saúde dos astronautas

A alimentação e atividade física no espaço são elementos cruciais para a manutenção da saúde dos astronautas durante a missão Artemis II, que envolve longos períodos em ambiente de microgravidade. Sem a força da gravidade, hábitos comuns, como comer e se exercitar, tornam-se complexos, exigindo planejamento tecnológico e disciplina rigorosa para preservar o organismo.

Adaptações na alimentação para o ambiente sem gravidade

No espaço, a ausência de gravidade impede que líquidos permaneçam em copos e que alimentos soltos fiquem no lugar, o que pode comprometer equipamentos e a respiração da tripulação. Por isso, os alimentos consumidos são cuidadosamente selecionados e embalados para evitar migalhas e resíduos flutuantes. A dieta inclui refeições desidratadas, que são reidratadas em estações específicas, bem como alimentos embalados a vácuo, cobrindo sopas, massas, carnes e sobremesas adaptadas para não liberarem detritos, como o uso de tortilhas no lugar de pães tradicionais.

Além disso, a alteração do paladar causada pela subida dos fluidos corporais para a cabeça, que provoca sensação constante de “nariz entupido”, faz com que os astronautas prefiram comidas bem condimentadas. Temperos como sal e pimenta são administrados em gotas para evitar partículas soltas, mantendo a segurança a bordo.

Equipamentos e rotina de exercícios para enfrentar a microgravidade

Manter a massa muscular e a densidade óssea é um grande desafio na ausência de gravidade, onde ossos perdem cálcio rapidamente e os músculos, incluindo o cardíaco, podem atrofiar. Por isso, toda espaçonave dispõe de uma academia espacial equipada com aparelhos específicos. O ARED (dispositivo de exercício resistivo avançado) simula o levantamento de peso por meio de cilindros de vácuo, permitindo exercícios que preservam a densidade óssea.

A esteira T2 utiliza cordas elásticas e arneses para prender o astronauta e simular o peso corporal durante a corrida, enquanto a bicicleta ergométrica CEVIS, adaptada para o espaço, trabalha o sistema cardiovascular sem necessidade de sela ou guidão convencionais.

Monitoramento nutricional e hidratação na Estação Espacial Internacional

A dieta a bordo é rigorosamente balanceada para fornecer calorias, vitaminas e minerais adequados a cada tripulante. O consumo de cálcio e vitamina D é especialmente acompanhado, pois a microgravidade reduz a densidade óssea e a ausência de luz solar elimina a principal fonte natural de vitamina D.

Outro aspecto vital é a hidratação eficiente. Sistemas avançados reciclam o suor e a urina da tripulação para produzir água potável, que é utilizada tanto para beber quanto para reidratar os alimentos, assegurando economia e sustentabilidade em missões prolongadas.

Importância da disciplina e rotina para o sucesso das missões Artemis II

A astronauta Loral O’Hara, da Nasa, relatou que cada tripulante dedica cerca de 2 horas e 30 minutos diários a exercícios físicos, divididos entre levantamento de peso e atividades cardiovasculares como corrida e ciclismo. Esses exercícios são personalizados para preservar funções musculares, ósseas e cardíacas durante meses em órbita.

A alimentação e atividade física no espaço se mostram indispensáveis para mitigar os efeitos prejudiciais da microgravidade, como perda de massa muscular e alterações no sistema circulatório, garantindo que os astronautas estejam em condições ideais para cumprir os objetivos da missão Artemis II e futuras explorações lunares e além.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br