Senado aprova convocações para esclarecer relações e investigações sobre crime organizado e lavagem de dinheiro

A CPI do crime organizado convoca ex-governadores e ex-presidente do Banco Central para depor sobre investigações de corrupção e lavagem de dinheiro.
Convocações confirmadas para avançar na investigação da CPI do crime organizado
A CPI do crime organizado aprovou na terça-feira, 31 de março de 2026, a convocação dos ex-governadores Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, e Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, além do ex-presidente do Banco Central, Campos Neto. O relator da comissão, senador Alessandro Vieira, destacou que o depoimento desses agentes públicos é essencial para compreender as relações comerciais e institucionais que envolvem o crime organizado, especialmente na esfera financeira.
Contexto das convocações: relações entre poder público e grupos investigados
O requerimento para convocar Ibaneis Rocha parte de suspeitas relacionadas ao escritório de advocacia fundado por ele, que teria mantido contratos milionários com entidades ligadas a grupos sob investigação da Polícia Federal, como o Grupo Reag Investimentos e o Banco Master. Há ainda indícios de transferências financeiras atípicas do Grupo J&F para o escritório. Vieira apontou que, na gestão de Ibaneis, houve atuação direta para aprovação da aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), envolvido em negócios financeiros questionados que somam mais de R$ 12,2 bilhões.
Importância do depoimento de Cláudio Castro para entender dinâmica do crime organizado no Rio de Janeiro
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, é convocado para oferecer um panorama das falhas institucionais que afetam o combate à lavagem de dinheiro e outras práticas ilícitas. O senador Vieira ressaltou que o Rio é um laboratório das dinâmicas do crime organizado, onde ocorreu uma fusão entre facções criminosas e grupos milicianos, denominada narcomilícia. O depoimento de Castro é considerado imprescindível para avançar na análise dessas estruturas e sua infiltração no aparelho estatal.
Recondução de Campos Neto para esclarecer atuação do Banco Central
Campos Neto, que presidiu o Banco Central entre 2019 e janeiro de 2025, foi reconvocado após faltar à sessão anterior da CPI. Ele será ouvido como testemunha qualificada, sem atribuição prévia de responsabilidade, para contribuir com esclarecimentos sobre procedimentos e práticas institucionais do Banco Central que possam impactar as investigações da CPI.
Procedimentos complementares e avanços nas investigações
Além dessas convocações, a CPI aprovou pedidos de quebra de sigilo de pessoas físicas e jurídicas, atendendo às exigências do Supremo Tribunal Federal. Essas medidas buscam aprofundar a análise das conexões financeiras e operacionais que sustentam o crime organizado no país.
O trabalho da CPI do crime organizado segue com o objetivo de mapear e desarticular esquemas que envolvem agentes públicos, instituições financeiras e grupos criminosos, contribuindo para o fortalecimento do combate à corrupção e à lavagem de dinheiro no Brasil.





