Agricultura de baixo carbono cresce como solução sustentável no Brasil

Programa ABC impulsiona práticas agrícolas que conciliam produtividade e redução de emissões no campo brasileiro

Agricultura de baixo carbono cresce como solução sustentável no Brasil
Lavoura de soja recém-plantada Foto: Jim Vondruska

Agricultura de baixo carbono avança no Brasil com o Plano ABC, que promove técnicas sustentáveis para aumentar a produtividade e reduzir o impacto ambiental.

Agricultura de baixo carbono avança no Brasil com metas ambiciosas do Plano ABC

A agricultura de baixo carbono tem ganhado espaço significativo no Brasil, especialmente no contexto do Plano ABC, que definiu metas para a adoção de práticas sustentáveis entre 2010 e 2030. O programa, que visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa no setor agropecuário, atingiu 54 milhões de hectares na primeira década, superando em 52% a meta inicial de 35,5 milhões. A segunda fase do Plano traça o objetivo de alcançar 72,68 milhões de hectares até 2030, ampliando o uso de tecnologias como recuperação de pastagens degradadas, plantio direto, sistemas integrados, florestas plantadas, bioinsumos e irrigação. Segundo Alexandre Nepomuceno, chefe-geral da Embrapa Soja, a agricultura de baixo carbono é uma mudança estrutural na produção brasileira, colocando o país como parte da solução no combate às mudanças climáticas.

Plano ABC: estratégia nacional para redução de emissões e incentivo à inovação tecnológica

O Plano ABC funciona como uma diretriz estratégica que combina metas ambientais com incentivos financeiros para o setor agrícola. Entre 2010 e 2020, foram liberados R$ 32,27 bilhões por meio de mais de 38 mil contratos para financiar tecnologias sustentáveis que reduzem a pegada de carbono das atividades rurais. As práticas apoiadas incluem o sistema de plantio direto, recuperação de áreas degradadas e integração lavoura-pecuária-floresta, que contribuem para manter o carbono no solo e sequestrar CO₂ da atmosfera. A linha de crédito do programa foi fundamental para ampliar a adesão dos produtores a essas tecnologias, promovendo a sustentabilidade aliada à produtividade.

Práticas de baixo carbono ampliam produtividade e evitam desmatamento

Um dos impactos mais relevantes da agricultura de baixo carbono no Brasil é o aumento da eficiência produtiva aliado à redução das emissões. Dados da Embrapa indicam que entre 1990 e 2025, aproximadamente 50 milhões de hectares deixaram de ser convertidos para uso agrícola graças ao ganho de produtividade proporcionado por essas técnicas. O uso de sistemas produtivos avançados permite reduzir o impacto ambiental por unidade produzida, demonstrando que é possível expandir a produção sem abrir novas áreas, especialmente aproveitando pastagens degradadas para recuperação e cultivo.

Soja de baixo carbono: inovação e sustentabilidade no principal cultivo brasileiro

A soja destaca-se como um exemplo emblemático da aplicação bem-sucedida da agricultura de baixo carbono no Brasil. A cultura incorpora práticas conservacionistas e tecnologias como a fixação biológica de nitrogênio, que diminui o uso de fertilizantes químicos, tornando a produção mais sustentável. Estima-se que o plantio direto em áreas de soja capture até quase 3 toneladas de CO₂ equivalentes por hectare anualmente, dependendo do manejo adotado. Essa abordagem reduz o impacto climático e contribui para a competitividade do setor, reforçando o papel da soja na agenda ambiental nacional.

Potencial de crescimento sustentável sem desmatamento e impactos ambientais

Especialistas ressaltam que o Brasil tem potencial para ampliar sua produção agrícola sem recorrer à expansão de áreas de florestas nativas. Alexandre Nepomuceno enfatiza que o aproveitamento de áreas já abertas, como pastagens degradadas recuperadas, é uma estratégia eficiente para aumentar a produção. A agricultura de baixo carbono, portanto, não só contribui para a mitigação das mudanças climáticas como também viabiliza o crescimento sustentável do setor agropecuário, alinhando desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Jim Vondruska