CEO do iFood analisa pontos controversos e consequências para pequenos restaurantes no debate atual

O projeto de lei dos entregadores por aplicativo levanta questões sobre flexibilidade, segurança e custos para pequenos restaurantes no Brasil.
Contexto atual do projeto de lei dos entregadores por aplicativo no Brasil
O Projeto de Lei dos entregadores por aplicativo tem avançado nas discussões nacionais em 2026, buscando regulamentar a atividade desses profissionais que atuam em plataformas digitais. Diego Barreto, CEO do iFood, ressalta que o debate traz à tona questões cruciais sobre como garantir direitos sem comprometer a flexibilidade, uma característica valorizada por muitos entregadores. Barreto exemplifica: “Cada dez mulheres no iFood, nove valorizam poder levar seus filhos à creche”, destacando a importância da autonomia no trabalho.
Principais demandas dos entregadores segundo o CEO do iFood
Diego Barreto identifica três demandas centrais dos entregadores: flexibilidade, previsibilidade da demanda e remuneração digna. A flexibilidade permite que os trabalhadores administrem seus horários conforme necessidades pessoais, fator primordial para a categoria. A previsibilidade refere-se à segurança sobre os ganhos diários, um elemento importante para o planejamento financeiro. Por fim, a remuneração decente e a segurança, incluindo previdência e seguro, são requisitos essenciais para melhorar as condições de trabalho nessa atividade.
Pontos positivos e contradições no projeto de lei analisado
Embora o projeto apresente avanços, como a contribuição majoritária das plataformas à previdência social e a obrigatoriedade de seguro para entregadores, Barreto considera que há contradições. O equilíbrio entre garantir direitos e preservar a autonomia ainda carece de soluções claras. Segundo ele, é necessário construir um modelo que assegure dignidade sem prejudicar a geração de renda, um desafio para legisladores e empresários do setor.
Impacto do fim da escala 6×1 para pequenos restaurantes brasileiros
O fim da escala 6×1, que atualmente permite jornadas de 44 horas semanais, pode acarretar um aumento de custos entre 15% e 25% para pequenos restaurantes, alerta o CEO do iFood. Essa alteração para uma jornada de 36 horas terá impacto direto no setor de alimentação, especialmente para estabelecimentos menores, que representam 70% dos restaurantes no país. Barreto destaca que 75% desses negócios são liderados por mulheres, evidenciando a importância social e econômica dessas mudanças.
Desafios enfrentados pelos pequenos restaurantes diante das novas regras trabalhistas
Para os pequenos restaurantes, com equipes reduzidas de até quatro pessoas, os ajustes na escala de trabalho significam decisões difíceis: fechar dias da semana ou contratar mais funcionários com custos maiores. Ambas as alternativas trazem repasses de preços ao consumidor, podendo reduzir a demanda e criar um ciclo negativo para os negócios. Barreto observa que essas dificuldades evidenciam a complexidade de implementar novas regras trabalhistas que conciliem dignidade e viabilidade econômica.
Necessidade de equilíbrio entre dignidade e geração de renda no setor de entregas
Embora reconheça os desafios econômicos, Diego Barreto enfatiza o aspecto humano da questão. Ele afirma que limites para garantir dignidade são fundamentais, mas que isso deve caminhar junto com a geração de renda. Assim, o desafio é construir um ambiente em que a sociedade proporcione segurança e condições justas de trabalho, preservando a autonomia e a sustentabilidade econômica dos entregadores e pequenos empreendedores.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: • Hot Market, com Diego Barreto, CEO do iFood







